08/04/06
07/04/06
Fabrício Carpinejar...
... é um poeta gaúcho do qual não conheço obra. Li uma entrevista dele hoje no DN e tenho a certezinha de que vou comprar o livro, "Caixa de Sapatos", que ele vai lançar. Só por estas duas respostas, acho que já vale o investimento.
"Eu prefiro o ínfimo, a intimidade do que é desperdiçado. Sou um catador do mínimo, do que não serve ao jornalismo. Um observador indiscreto. Fico a escutar as pessoas por aquilo que elas não falam. Aquilo que elas querem esconder. O que elas pretendem esconder é o meu poema".
"O amor tem de ser lento como um rio esculpindo as margens. Ninguém diminui a solidão com o casamento. A solidão é solteira e por toda a vida. Com o casamento, nós diminuímos o isolamento e a solidão fica habitável".
Acho bem dito.
"Eu prefiro o ínfimo, a intimidade do que é desperdiçado. Sou um catador do mínimo, do que não serve ao jornalismo. Um observador indiscreto. Fico a escutar as pessoas por aquilo que elas não falam. Aquilo que elas querem esconder. O que elas pretendem esconder é o meu poema".
"O amor tem de ser lento como um rio esculpindo as margens. Ninguém diminui a solidão com o casamento. A solidão é solteira e por toda a vida. Com o casamento, nós diminuímos o isolamento e a solidão fica habitável".
Acho bem dito.
Injustiça
Sempre achei que a felicidade está compactada em pequenos momentos da nossa vida. Eu tenho para aí uma meia dúzia deles todos os dias. Há um que resulta da conjugação matinal de três elementos - café/cigarro/jornal - que pressupõem três acções praticadas num estabelecimento apropriado, vulgo café ou pastelaria. E se a trilogia se completa em sossego, tanto melhor. Não foi o caso hoje. Um minuto depois de me sentar com todos os elementos referidos à minha disposição, percebi que estava feita. Duas mulheres da mesa ao lado, teorizavam sobre a vida em perfeita sintonia de vozes esganiçadas, volume no máximo e sem revelar critério algum na escolha de temas em discussão. Para ser simples, as duas berravam. Como sou uma resistente, abri o jornal e acendi o cigarro. Parvoíce. Não consegui ler uma linha, fumei meio ventil, engoli o café em três tempos e fugi, com as vozes delas ainda entranhadas nos meus tímpanos. Duvido que as duas tenham percebido que me roubaram o direito a um dos meus minutinhos diários de felicidade. Grandes cabras.
06/04/06
Orgulhosamente Só
Paulo Portas ontem esmerou-se. Na sessão comemorativa dos 30 anos da Constituição Portuguesa deu para destratar a aniversariante, considerando-a "um erro histórico". Nada simpático. Claro que lhe caíram todos em cima e com razão. Eu também não gostei. Para mim, a nossa constituição não tem culpa nenhum do que se faz de mal neste país. Pelo contrário, até acho que devia ser levada mais à letra. Principalmente, aquela parte que fala da tendencial gratuitidade da saúde e da educação. De doentes e analfabetos estão os países terceiro-mundistas cheios. Isso é que está errado.
05/04/06
04/04/06
Rica ideia
"Os polícias russos vão ter aulas de etiqueta depois de terem sido feitas várias queixas devido ao seu comportamento rude" (in site Portugal Diário). Há medidas que deviam ser de importação obrigatória.
Linha de montagem

Hoje apetece-me olhar para o umbigo e desancar na minha geração. Os trintões são uns grandes chatos. Entalados entre os vintões e os quarentões, assim numa espécie de Terra de Ninguém onde já não se é jovem nem se é ainda adulto de corpo feito, estão umas autênticas latas de salsicha a rolar pela linha de montagem. Não se distinguem no aspecto e no conteúdo. Trintão que se orgulhe de si a esta altura do campeonato já trocou o utilitário em 15ªmão pelo monovolume cinza metalizado, o crédito jovem pelo condomínio fechado, o futebol na praia pelo golfe da Quinta da Marinha, a pousada da juventude pelo resort na República Dominicana, o Swatch pelo Rolex, as t-shirts da feira de Carcavelos pelo atendimento personalizado da Sacoor, o SG Ventil pelas cigarrilhas, os caracóis pela sapateira, a imperial pelo whisky. Os filhos andam nos colégios campeões em actividades extra-curriculares, as digressões à casa dos pais e dos sogros têm dia marcado e ponto para picar, as festas em casa de uns e de outros são de elenco residente e presença obrigatória, as férias não se fazem a dois mas a quatro ou a seis em duplo com cama extra. Os homens lêem Dan Brown e andam preocupados com a barriga e com o déficit capilar, as mulheres, fãs de Margarida Rebelo Pinto, já não aguentam o tamanho das coxas e o peito descaído. Fala-se de amantes com os amigos chegados, suspira-se pelo traseiro do vizinho do 4º direito ou pela colega do departamento de pessoal. As discussões perderam a graça: não se grita porque os miúdos estão a dormir e porque também não vale a pena. Aos trinta anos, já ninguém muda. É sentar no sofá IKEA em frente ao ecrã LCD com Dolby Surround e esperar pelos quarenta.
03/04/06
Coitado
"Um indiano pronunciou três vezes durante o sono «divorcio-me de ti». Os líderes religiosos ordenam-lhe agora que abandone a esposa" (in site Portugal Diário).
A isto chama-se levar tudo à letra. Ou com o sono me enganas. Ou a dormir, a dormir... Ou uma pessoa já não pode sonhar alto, pronto. Ou lixei-me porque estavas com insónias. Ou que chatice, fugiu-me a boca para a verdade. Ou, fogo, pelo menos não disse o nome da gaja.
O pobre do indiano que não dormiu o sono dos justos tramou-se, essa é que é essa.
A isto chama-se levar tudo à letra. Ou com o sono me enganas. Ou a dormir, a dormir... Ou uma pessoa já não pode sonhar alto, pronto. Ou lixei-me porque estavas com insónias. Ou que chatice, fugiu-me a boca para a verdade. Ou, fogo, pelo menos não disse o nome da gaja.
O pobre do indiano que não dormiu o sono dos justos tramou-se, essa é que é essa.
Preguiça
Que fazer se o corpo amolece
e o espírito se dilata?
Nada em nós nos obedece.
A tarde está chata.
É do súbito calor
ou das horas brandas?
Tanto torpor,
virá de que bandas?
Da noite é de esperar
que faça vento da sufocante brisa.
E que me faça libertar,
fugir do que me pisa.
(marta, eu mesma)
e o espírito se dilata?
Nada em nós nos obedece.
A tarde está chata.
É do súbito calor
ou das horas brandas?
Tanto torpor,
virá de que bandas?
Da noite é de esperar
que faça vento da sufocante brisa.
E que me faça libertar,
fugir do que me pisa.
(marta, eu mesma)
01/04/06
Duas considerações
1. O ex-comissário europeu para a Imigração e Assuntos Internos, António Vitorino, em entrevista ao Expresso de hoje, afirma que "só é possível defendermos a imigração legal se não pactuarmos com a ilegal". Pois isto parece-me do mais óbvio que alguém já disse sobre os acontecimentos no Canadá. Ou há moralidade ou comem todos.
2. Esta semana, as estações de TV enviaram equipas de reportagem ao aeroporto de Lisboa e Porto com o objectivo de recolher depoimentos dos portugueses expulsos do Canadá. E como os directos têm razões que a própria razão desconhece, aconteceram algumas cenas bizarras. Assim, de repente, lembro-me de ver uma repórter a interpelar nervosamente tudo quanto era criatura com bagagem e cara de quem acabou de sair de um avião. Teve azar, coitada: passou o directo nisto e não encontrou um único imigrante português a chegar do Canadá. Nós é que ganhámos um belo momento de televisão.
2. Esta semana, as estações de TV enviaram equipas de reportagem ao aeroporto de Lisboa e Porto com o objectivo de recolher depoimentos dos portugueses expulsos do Canadá. E como os directos têm razões que a própria razão desconhece, aconteceram algumas cenas bizarras. Assim, de repente, lembro-me de ver uma repórter a interpelar nervosamente tudo quanto era criatura com bagagem e cara de quem acabou de sair de um avião. Teve azar, coitada: passou o directo nisto e não encontrou um único imigrante português a chegar do Canadá. Nós é que ganhámos um belo momento de televisão.
31/03/06
É verídico, eu estava lá
Cena: Um café, algures por aí.
Personagens: Três mulheres.
Tema da conversa: Homens, claro.
Tópico lançado para a mesa: “Porque é que estamos casadas com eles?”
Uma das conclusões: “O meu é bom para ter em casa”.
Não tarda nada, a Lei da Paridade terá de ser revista.
Personagens: Três mulheres.
Tema da conversa: Homens, claro.
Tópico lançado para a mesa: “Porque é que estamos casadas com eles?”
Uma das conclusões: “O meu é bom para ter em casa”.
Não tarda nada, a Lei da Paridade terá de ser revista.
30/03/06
Autobiografias
Maria Filomena Mónica, autora de "Bilhete de Identidade", não se cansa de dizer em tudo o que é entrevista que lamenta a (quase) inexistência de autobiografias de personalidades portuguesas. Pois aqui vai uma boa notícia para ela: o mítico árbitro de futebol Jorge Coroado lança hoje um livro de memórias recheadinho de histórias do mais fino bom gosto.
Dois exemplos: durante uma estada em Paris para apitar um jogo, o ex-profissional de arbitragem conta que "apareceram" umas jovens no hotel onde ele estava instalado e "calhou-lhe" uma gaiata que lhe disse logo para o que ía. Ele não se desfez e acabou a noite a conversar "sobre tudo menos futebol". Noutra ocasião, em Bucareste, a coisa correu pior. Saiu-lhe na rifa uma bela romena com mais pedalada mas com um ar contrariado. O bom do Jorge Coroado teve atitude de homem: percebeu que ela era casada e convidou-a a sair do quarto.
A Maria Filomena Mónica que se ponha a pau. Com concorrência deste gabarito em matéria de autobiografias, o livrito dela bem pode ficar a ganhar pó nas prateleiras das livrarias. E é bem feito. Quem é que a mandou dizer que os portugueses não se pelam por contar as suas proezas pessoais?
Dois exemplos: durante uma estada em Paris para apitar um jogo, o ex-profissional de arbitragem conta que "apareceram" umas jovens no hotel onde ele estava instalado e "calhou-lhe" uma gaiata que lhe disse logo para o que ía. Ele não se desfez e acabou a noite a conversar "sobre tudo menos futebol". Noutra ocasião, em Bucareste, a coisa correu pior. Saiu-lhe na rifa uma bela romena com mais pedalada mas com um ar contrariado. O bom do Jorge Coroado teve atitude de homem: percebeu que ela era casada e convidou-a a sair do quarto.
A Maria Filomena Mónica que se ponha a pau. Com concorrência deste gabarito em matéria de autobiografias, o livrito dela bem pode ficar a ganhar pó nas prateleiras das livrarias. E é bem feito. Quem é que a mandou dizer que os portugueses não se pelam por contar as suas proezas pessoais?
29/03/06
Queijo
Um especialista italiano em queijos esteve em Lisboa para provar os nossos orgulhos dentro do género. Piero Sardo bradou aos céus perante um Serra da Estrela e deixou conselhos aos apreciadores: nada de usar colheres ou facas, jamais acompanhar com pão ou bolachas, parti-lo sempre com as mãos e cheirá-lo antes de lhe meter o dente. No fim, limpar a boca com uma maçã. Curioso o ritual ainda que um tudo nada primitivo e a modos que socialmente reprovável.
28/03/06
27/03/06
Está muito mal
Quando comecei a ouvir falar na hipótese do GNT deixar de pertencer ao pacote de canais da TV Cabo, não acreditei. Para já, porque o canal é visto todos os dias por cerca de 750 mil almas e está sempre no top ten do ranking, o que não admira nada porque temos imensos brasileiros a viver cá e outros tantos portugueses que partilham dos mesmos gostos televisivos. Depois, porque só o GNT é que tem profissionais como o Jô Soares e a Marília Gabriela, sitcoms como "Os Normais", programas como "Altas Horas", "Videoshow" e "Saia Justa".
Pois fiz mal em não acreditar. O GNT vai mesmo à vida e vem aí a TV Record. Estou para ver o que vamos ver mas há um pormenorzinho que, à cabeça, não me deixa nada confiante: a TV Record construíu um império na comunicação social às custas do povo que enquanto bebe os ensinamentos ditados pelo Reino de Deus vai despejando o dízimo nos cofres desta Igreja Universal. Só por isso, já estou céptica. E não sou de ir à missa aos Domingos.
Pois fiz mal em não acreditar. O GNT vai mesmo à vida e vem aí a TV Record. Estou para ver o que vamos ver mas há um pormenorzinho que, à cabeça, não me deixa nada confiante: a TV Record construíu um império na comunicação social às custas do povo que enquanto bebe os ensinamentos ditados pelo Reino de Deus vai despejando o dízimo nos cofres desta Igreja Universal. Só por isso, já estou céptica. E não sou de ir à missa aos Domingos.
26/03/06
Gostar
Sempre Gostei de todas as ideias associadas à Ideia Maior que é a da Liberdade.Gosto, por exemplo, de "Liberdade de Imprensa", que é como se chama a exposição que está na Galeria do DN.
Achei logo que ia Gostar de lá ir.
E fui e Gostei de Gostar de tudo mas, principalmente, das peças de Andy Warhol (em cima) e Roy Lichtenstein (à direita). Dá Gosto visitar obras da colecção de arte moderna de Joe Berardo.
24/03/06
O mais deprimente
O nosso primeiro está em Bruxelas a participar na Cimeira Europeia da Primavera e hoje saíu-se com uma curiosa. José Sócrates atirou para quem o quis ouvir que considera o abandono escolar o "fenómeno mais deprimente em Portugal". É discutível que este problema seja o piorzinho que nós temos mas que é ponto assente que é algo que não nos orgulha, lá isso é. Agora, o fantástico disto tudo é que seja um primeiro-ministro de um governo em plena legislatura a admiti-lo como se fosse uma coisa fora do seu âmbito de responsabilidade, assim género "ai, eu acho horrível os miúdos deixarem de estudar mas o que é que se vai fazer?". Parece que a culpa disso acontecer não é dele nem dos governos dos últimos anos. Pois não, é dessa miudagem ociosa que não pega nos livros nem por nada. Calões.
23/03/06
Quem anda à chuva
Oito distritos de Portugal estão neste momento em alerta laranja devido ao mau tempo. Parte do tecto do corredor de acesso ao serviço de cirurgia do Hospital de Vila Nova da Gaia caiu devido às fortes chuvadas dos últimos dias. A chuva é responsável pelo atraso das obras do Túnel do Marquês de Pombal. A circulação nas pontes de Lisboa esteve condicionada devido ao mau tempo. Bombeiros registam queda de anúncios publicitários e árvores por causa do vento forte e da chuva que se faz sentir.Nada como uma boa bátega para deixar as nossas fragilidades todas a nú.
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