17/04/06

Um momento de egocentrismo

Hoje, estou de parabéns.

13/04/06

Pronto, nem tudo está mal. Os malmequeres estão bonitos nesta altura do ano.

Acordei assim

Um juíz do Supremo Tribunal de Justiça faz a pedagogia da palmada, 119 deputados foram de férias e deixaram leis para serem votadas, a Igreja anuncia que ver muita televisão, ler muitos jornais ou navegar muito na net é pecado, o Irão está a nove meses de obter a bomba atómica e um alemão processou o coelho da Páscoa por provocar obesidade e ataques cardíacos.
Eu não sou de intrigas mas hoje há qualquer coisa de errado no mundo.

12/04/06

Desabafo de uma amiga

«Há uns tempos, por força de circunstâncias profissionais, cruzei-me com uma mulher de 40 anos, brasileira, ex-gerente de um bar de alterne na cidade das mães, católicas, apostólicas, que vão ao domingo à missa. A mulher, bonita, mas já com alguns sinais de quarentona - e se tem essa idade qual é o problema? – numa situação de desespero, confessou-me que temia pelo seu futuro. Sem trabalho, sem documentos (estes foram apreendidos pelo tribunal na sequência de um processo de investigações), disse-me que cada dia que passa perde uma oportunidade na vida. E porquê? “Porque tenho mais um cabelo branco, uma ruga, em suma estou-me tornando velha”, lastimou. No entanto, referiu que se sentia cheia de vida, que o seu interior era o de uma jovem de 18 anos. Pronta para tudo, para trabalhar, para mudar de profissão, para enfrentar o preconceito.
Andei uns tempos a mastigar o assunto. Aquela mulher não era velha… tinha 40 anos.
Esta semana deparo-me com o preconceito às sub-30. Vou a caminho dos 35, solteira, independente. Estou segundo as regras da nossa sociedade ultrapassadíssima. Senti-me velha pela primeira vez na vida quando entrei num banco para pedir um crédito à habitação. Quando a funcionária, também uma mulher, mas a caminho dos 50, ou mais, torceu o nariz quando lhe disse a idade e o estado civil. “Já não é jovem portanto é tudo mais difícil e sozinha”, atirou por cima do balcão. Defendi-me. Perguntou-me se era enfermeira. “Eu não, porque raio havia de ser enfermeira”, retorqui e acrescentei “sou jornalista”. Pior… novo franzir do nariz, desta vez mais forte e acompanhado de um Ui!!!! Sonoro… estridente. “É pena, ia para os 360, assim não”. Que raio serão os 360? Os clientes VIP!!!?
Admito que sai do banco de rastos, sem vontade nenhuma de fazer a aquisição do apartamento, e com vontade de ir para outro canto qualquer do globo, montar a barraca. Considerada velha, apesar de não ter ainda rugas e estar em forma graças ao vicio de fazer exercício físico, com uma profissão sem estatuto, sem um vencimento chorudo, solteira, sem dois filhos, um duplex, um automóvel GTi, um cão e um ar de falsa felicidade, não interesso ao banco, nem à funcionária do banco. Já sou obrigada a enfrentar o assédio dos machos da rua onde moro, que, só porque vivo sozinha, pensam que estou disponível… as críticas dos ex-namorados que quando acompanhados das jovens esposas, ou namoradas, fazem apreciações ao meu estado civil. E agora a mulher do banco!
Pela primeira vez compreendi porque razão algumas mulheres escondem a idade em termos sociais, o motivo porque algumas fazem figuras ridículas, muitas vezes, ao tentar meter-se em roupas que não as favorecem de todo, só para parecerem mais jovens. Então, não temos direito a escolher a nossa própria vida? Temos de seguir os estereótipos da publicidade da TV…Precisava de desabafar».
Glória

Tradição

Há 14 anos que os trabalhadores dos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura fazem greve no fim de semana da Páscoa. Eu aposto que eles já nem se lembram do que reinvidicam. A coisa assumiu contornos de tradição e não é bonito acabar com os costumes que caracterizam a nossa identidade. E depois, estes dias dão um jeitaço para dar um pulinho à terra ou até mesmo ao Brasil, que está com pacotes turísticos tão em conta. A Ministra da Cultura que não se esforce para tentar resolver a situação: estes trabalhadores estão que nem uns irredutíveis gauleses prontos para arrasar com as pretensões de qualquer romano. Não são como os fracos dos colegas espanhóis que vão permitir o alargamento do horário de funcionamento dos museus estatais durante a Páscoa. Imagine-se que até vão ser promovidas exposições temporárias, concertos, sessões de cinema e peças de teatro, com o objectivo de responder à maior procura que se verifica neste período. Olha, olha... Era o que faltava! As minhas ricas férias da Páscoa!

11/04/06

Romeu e Julieta

Ontem, um idoso de 74 anos tomou uma decisão difícil na solidão do quarto que partilhava com a mulher, de 80. Atormentado com o sofrimento dela, causado pela doença de Alzheimer, matou-a com uma bala na cabeça. Depois, foi para a rua e estoirou com a cabeça dele também. Diz um amigo da família que foi o "desespero e o desgosto". Eu digo que foi o amor. Tem tudo a ver.

Top de Vendas das Livrarias Bertrand



1º «Amor à primeira vista» - Nicholas Sparks
2º «Jorge Coroado - O último cartão» - Jorge Baptista
3º «Uma chuva de diamantes» - Sveva Casati Modignani
4º «Este Jesus Cristo que vos fala» - Alexandra Solnado
5º «A inutilidade do sofrimento» - María de Jesus A. Reyes

Diz-me o que lês, dir-te-ei que tipo de país és.

10/04/06

Mais coisa menos coisa II

O presidente do Serviço Nacional de Bombeiros não sabe quantos bombeiros existem em Portugal.
O ministro da Saúde reconhece que existe uma "forte" probabilidade de um em cada 100 doentes internados em Portugal vir a morrer por infecção hospitalar.
Os responsáveis pela construção da Casa da Música, no Porto, revelam que a obra triplicou de preço face ao inicialmente previsto.
O Instituto Nacional de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge garante que afinal poderão morrer 19 mil portugueses com a pandemia da gripe e não 12 mil como estavam previstos.

Oxalá os italianos sejam melhores do que nós a Matemática senão ainda se arriscam a levar com o Berlusconi outra vez.

09/04/06

Devia era ter sido o Grande Prémio

José Carlos Carvalho (Diário de Notícias)
Menção Honrosa na Categoria Notícias - 6º Prémio Fotojornalismo Visão/BES

Mais coisa menos coisa

O número de mortos em Portugal no caso de uma pandemia de gripe deverá ser 19 mil e não os 12 mil previstos em Junho do ano passado, pelo Instituto Nacional de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge (segundo a Antena 1). Das duas uma: ou alguém do Instituto não sabe fazer contas ou apareceram para aí 7 mil portugueses vindos não se sabe muito bem de onde.

07/04/06

Fabrício Carpinejar...

... é um poeta gaúcho do qual não conheço obra. Li uma entrevista dele hoje no DN e tenho a certezinha de que vou comprar o livro, "Caixa de Sapatos", que ele vai lançar. Só por estas duas respostas, acho que já vale o investimento.

"Eu prefiro o ínfimo, a intimidade do que é desperdiçado. Sou um catador do mínimo, do que não serve ao jornalismo. Um observador indiscreto. Fico a escutar as pessoas por aquilo que elas não falam. Aquilo que elas querem esconder. O que elas pretendem esconder é o meu poema".

"O amor tem de ser lento como um rio esculpindo as margens. Ninguém diminui a solidão com o casamento. A solidão é solteira e por toda a vida. Com o casamento, nós diminuímos o isolamento e a solidão fica habitável".

Acho bem dito.

Injustiça

Sempre achei que a felicidade está compactada em pequenos momentos da nossa vida. Eu tenho para aí uma meia dúzia deles todos os dias. Há um que resulta da conjugação matinal de três elementos - café/cigarro/jornal - que pressupõem três acções praticadas num estabelecimento apropriado, vulgo café ou pastelaria. E se a trilogia se completa em sossego, tanto melhor. Não foi o caso hoje. Um minuto depois de me sentar com todos os elementos referidos à minha disposição, percebi que estava feita. Duas mulheres da mesa ao lado, teorizavam sobre a vida em perfeita sintonia de vozes esganiçadas, volume no máximo e sem revelar critério algum na escolha de temas em discussão. Para ser simples, as duas berravam. Como sou uma resistente, abri o jornal e acendi o cigarro. Parvoíce. Não consegui ler uma linha, fumei meio ventil, engoli o café em três tempos e fugi, com as vozes delas ainda entranhadas nos meus tímpanos. Duvido que as duas tenham percebido que me roubaram o direito a um dos meus minutinhos diários de felicidade. Grandes cabras.

06/04/06

Orgulhosamente Só

Paulo Portas ontem esmerou-se. Na sessão comemorativa dos 30 anos da Constituição Portuguesa deu para destratar a aniversariante, considerando-a "um erro histórico". Nada simpático. Claro que lhe caíram todos em cima e com razão. Eu também não gostei. Para mim, a nossa constituição não tem culpa nenhum do que se faz de mal neste país. Pelo contrário, até acho que devia ser levada mais à letra. Principalmente, aquela parte que fala da tendencial gratuitidade da saúde e da educação. De doentes e analfabetos estão os países terceiro-mundistas cheios. Isso é que está errado.

05/04/06

Foi bom enquanto durou

(foto elmundo.es)

04/04/06

Rica ideia

"Os polícias russos vão ter aulas de etiqueta depois de terem sido feitas várias queixas devido ao seu comportamento rude" (in site Portugal Diário). Há medidas que deviam ser de importação obrigatória.

Linha de montagem



Hoje apetece-me olhar para o umbigo e desancar na minha geração. Os trintões são uns grandes chatos. Entalados entre os vintões e os quarentões, assim numa espécie de Terra de Ninguém onde já não se é jovem nem se é ainda adulto de corpo feito, estão umas autênticas latas de salsicha a rolar pela linha de montagem. Não se distinguem no aspecto e no conteúdo. Trintão que se orgulhe de si a esta altura do campeonato já trocou o utilitário em 15ªmão pelo monovolume cinza metalizado, o crédito jovem pelo condomínio fechado, o futebol na praia pelo golfe da Quinta da Marinha, a pousada da juventude pelo resort na República Dominicana, o Swatch pelo Rolex, as t-shirts da feira de Carcavelos pelo atendimento personalizado da Sacoor, o SG Ventil pelas cigarrilhas, os caracóis pela sapateira, a imperial pelo whisky. Os filhos andam nos colégios campeões em actividades extra-curriculares, as digressões à casa dos pais e dos sogros têm dia marcado e ponto para picar, as festas em casa de uns e de outros são de elenco residente e presença obrigatória, as férias não se fazem a dois mas a quatro ou a seis em duplo com cama extra. Os homens lêem Dan Brown e andam preocupados com a barriga e com o déficit capilar, as mulheres, fãs de Margarida Rebelo Pinto, já não aguentam o tamanho das coxas e o peito descaído. Fala-se de amantes com os amigos chegados, suspira-se pelo traseiro do vizinho do 4º direito ou pela colega do departamento de pessoal. As discussões perderam a graça: não se grita porque os miúdos estão a dormir e porque também não vale a pena. Aos trinta anos, já ninguém muda. É sentar no sofá IKEA em frente ao ecrã LCD com Dolby Surround e esperar pelos quarenta.

03/04/06

Coitado

"Um indiano pronunciou três vezes durante o sono «divorcio-me de ti». Os líderes religiosos ordenam-lhe agora que abandone a esposa" (in site Portugal Diário).
A isto chama-se levar tudo à letra. Ou com o sono me enganas. Ou a dormir, a dormir... Ou uma pessoa já não pode sonhar alto, pronto. Ou lixei-me porque estavas com insónias. Ou que chatice, fugiu-me a boca para a verdade. Ou, fogo, pelo menos não disse o nome da gaja.
O pobre do indiano que não dormiu o sono dos justos tramou-se, essa é que é essa.

Preguiça

Que fazer se o corpo amolece
e o espírito se dilata?
Nada em nós nos obedece.
A tarde está chata.

É do súbito calor
ou das horas brandas?
Tanto torpor,
virá de que bandas?

Da noite é de esperar
que faça vento da sufocante brisa.
E que me faça libertar,
fugir do que me pisa.

(marta, eu mesma)

01/04/06

Duas considerações

1. O ex-comissário europeu para a Imigração e Assuntos Internos, António Vitorino, em entrevista ao Expresso de hoje, afirma que "só é possível defendermos a imigração legal se não pactuarmos com a ilegal". Pois isto parece-me do mais óbvio que alguém já disse sobre os acontecimentos no Canadá. Ou há moralidade ou comem todos.

2. Esta semana, as estações de TV enviaram equipas de reportagem ao aeroporto de Lisboa e Porto com o objectivo de recolher depoimentos dos portugueses expulsos do Canadá. E como os directos têm razões que a própria razão desconhece, aconteceram algumas cenas bizarras. Assim, de repente, lembro-me de ver uma repórter a interpelar nervosamente tudo quanto era criatura com bagagem e cara de quem acabou de sair de um avião. Teve azar, coitada: passou o directo nisto e não encontrou um único imigrante português a chegar do Canadá. Nós é que ganhámos um belo momento de televisão.