Vou para aqui...
Bom fim-de-semana.
Acho que sou uma pessoa tolerante com os adolescentes. Compreendo que eles escrevam tudo com "k", que digam um ou outro palavrão, que vibrem com os "Morangos", que apanhem uma piela numa festa de aniversário, que não gostem de arrumar o quarto, que sejam apanhados aos mélos à porta da escola ou que vejam na figura maternal a pessoa mais chata do mundo.
Ontem, recebi uma carta daquelas à antiga. Com nome e morada escritos à mão em letra pequena e redondinha. Com um endereço parado no tempo em que o código postal tinha só 4 números e os telefones não tinham o indicativo de distrito. E com este conteúdo:
Um estudo publicado num jornal americano garante que muitos dos viciados na Internet são pessoas que possuem um historial de depressão, álcool e sofrem de ansiedade.
Com o final da Liga (ou seja dos jogos propriamente ditos) chega a silly season do futebol. As secções do Desporto dos jornais ficam numa aflição de fazer dó. Sem declarações bombásticas de treinadores, sem lesões de última hora, sem árbitros acusados de tudo e mais alguma coisa e sem castigos sumaríssimos, resta a dança das cadeiras dos treinadores. Quem é que já assinou, quem é que vai assinar, quem vem, quem fica, quem não tem clube, quem não tem técnico. Em ano de Mundial, os jornais aliviam um bocado a pressão de noticiar o diz que disse e concentram-se em todas as palavrinhas que saem da boca de Scolari. Até as bandeiras chegarem às janelas, vai ser só disto: especulações sobre contratações de treinadores e bocas polémicas do nosso seleccionador. As outras modalidades que se aguentem à bronca. Ainda não chegaram os seus 15 minutos de fama.
Gosto da SIC Mulher. Tem uma grelha light mas bem humorada e pormenores simpáticos como os videoclips nos intervalos da programação. Não tem novelas nem tem o José Castelo Branco e isso, nos dias que correm, é muito bom. A única coisa que me faz mudar de canal é um talk show chamado "Dr.Phil". Acho aberrante aquele homem enorme de olhos pequeninos e sorriso trocista, que tem a mania que sabe tudo em matéria de relacionamentos. Parece que é psicólogo mas gosta de trabalhar com assistência, contrariando aquilo que nós pensamos que deve ser o comportamento de um profissional desta área. Senta os pacientes no palco, pergunta o que lhe apetece sem se preocupar com a dignidade deles, lança blocos de imagens das vítimas a discutirem com os maridos ou a beberam às escondidas, faz piadas com as desgraças dos outros e até já se deu ao luxo de levar a mulher ao estúdio para mostrar a toda a gente o que é um casamento perfeito. Consta que foi considerado uma das dez pessoas mais fascinantes do mundo. Eu punha o Dr. Phil mas era no ranking dos mais imbecis da televisão.
Este fim de semana, o Banco Alimentar Contra a Fome recolheu 1.135 toneladas de géneros alimentícios em superfícies comerciais, um aumento de 130 toneladas em relação a 2005. Não me surpreendeu porque o número tem vindo a crescer todos os anos mas deixou-me feliz por perceber que a crise não serve de desculpa para não oferecer um litro de leite ou uma lata de atum a quem precisa. Os portugueses que alinham nesta iniciativa só podem ser gente boa e os responsáveis pela campanha, gente inteligente. Recolher alimentos num supermercado e receber excedentes de produção dos sectores agrícolas e industriais são ideias simples mas eficazes. Funcionam quando postas em prática e, ainda por cima, têm um objectivo nobre. Nestas alturas, é que me apetece colocar a bandeira na janela e cantar o hino. Sem precisar dos golos do Cristiano Ronaldo para nada.
Andar a pé em Lisboa não é para todos. Qualquer dia, torna-se mesmo um desporto radical, impróprio para cardíacos e corpos pouco ginasticados. É preciso ter estaleca para saber contornar os cócós da calçada, curvar com agilidade e elegância os transeuntes que só andam em linha recta, não cruzar jamais o olhar com os vendedores de seguros cheios de acne e de mau aspecto, escapar às escamosas cuspidelas do alheio, ziguezaguear por entre os carros em quatro piscas permanentes e por aí fora. Isto nos passeios.
Se há altura do ano que me irrita é esta. A da Primavera. Estes meses de Abril e Maio. Não são carne nem são peixe. Em bom rigor, tudo o que se situa nesta indefinição, neste frágil equilíbrio de forças, tira-me do sério. Já com o Outono é a mesma coisa. Aquele friozinho quase cortante, o céu cinzento, a chuva dos tolos. Agora, são as flores que estão bonitas, o céu que está azul, o calor que aperta mas só quando o Sol está alto. Enerva-me. Prefiro o gelo assumido dos dias de Inverno ou a sufocante canícula do Verão. Ao menos, sei exactamente com o que conto. Acordo de manhã a pensar qual a combinação mais perfeita do cachecol com as luvas ou da camisolinha de alças com a chinela. Não ando a bufar o dia inteiro a pensar que "afinal, está frio" ou "que calor, não devia ter trazido este casaco". Para mim, duas estações por ano eram mais do que suficientes. E se chegassem a horas com temperaturas a condizer, nas datas certas, tanto melhor. Gosto de alguma ordem e disciplina nestas coisas do tempo.

Aqui há uns dias, resolvi ir espreitar uma coisa chamada Hi5. Parece que se tornou moda entre os adolescentes, sempre mais permeáveis a estas modernices. Registei-me neste “convívio virtual” ou “serviço online de amizades” ou lá o que é e aí fui eu com uma pontinha de curiosidade, outra de desconfiança. Andei para cá e para lá, abri várias páginas, dei uma olhadela aqui e ali e pronto. Saí, retirei o meu registo e não volto à carga. Confirmei as minhas desconfianças todas. Trata-se sem dúvida de um produto destinado aos sub 18, o que é muito compreensível. A miudagem está em idade de fazer e desfazer amizades como quem troca de camisa. É saudável e faz parte do crescimento. Acho é estranho haver tantos adultos por lá com padrões de comportamento semelhantes. As páginas das mulheres despertaram-me uma curiosidade especial. A ideia com que fiquei é que parece implícita uma competição do género “Miss Hi5” onde as concorrentes aparecem dispostas em catálogos, em busca da amizade mais "desinteressada". Descarregam as suas fotos – às dezenas – em poses estudadas ao pormenor e décors a condizer. Há de tudo: na praia em bikini, na esplanada com óculos escuros, na neve com os skis, em cafés com os amigos, em casa com os cães, sérias, com ar grave, contentes, eufóricas, com a língua de fora, a fazer boquinhas sexys, com a mão na anca, de copo na mão, morenas, louras, com madeixas ou nuances. Um paraíso para qualquer gajo. É só ter olho e alguma criatividade para deixar um comentário a preceito. De preferência, com alguma alusão a um atributo físico. Elas não estão lá para outra coisa.
Inês Simões e Luís Lourenço fazem parte do elenco de "Morangos Com Açúcar". São dois jovens fresquinhos, giros e com um ar simpático e limpo. Se tiverem juízo, inteligência, capacidade de trabalho e talento podem, um dia, tornar-se actores porque, na verdade, ainda não o são. Toda a gente sabe que, salvo algumas excepções ao nível do elenco sénior, as estrelas desta série juvenil são recrutadas em agências de modelos e castings mediáticos onde se deixa foto de rosto e de corpo inteiro. Não se exige formação nem experiência: só uma cara laroca e arruma-se o assunto. Pois bem, a Inês é modelo e foi a segunda classificada num concurso de beleza. O Luís participou em anúncios publicitários. Não consta que algum deles tenha estudado para o ofício, ambos são estreantes e andam pela casa dos vinte anos. Hoje, descobri que os dois estão a dar formação num workshop sobre técnicas de interpretação. A ideia é seleccionar miúdos para frequentar uma escola de actores a inaugurar em Braga. Se calhar sou eu mas acho isto tudo um bocado estranho. Como é que se ensina alguma coisa sem ter aprendido quase nada?
Já andava desconfiada de que ia gostar dele. O aspecto agradou-me logo: branco, linhas direitas, fininho, simples, sem luzinhas a piscar nem botões supérfulos. De uma elegância só. Agora, que descobri o que está para além da aparência e ouço pela primeira vez "Mar Nha Confidente" de Cesária Évora neste curioso objecto pouco mais grosso do que um cartão multibanco percebo tudo: as pessoas deviam ser todas como o Ipod Nano. Bonitas por fora e competentes por dentro.
New Orleans, LA -- Kimi Seymour, 27, took a break from pushing her few remaining possessions along Interstate 10. (September 1, 2005. Photo by Irwin Thompson.)
1º «Amor à primeira vista» - Nicholas Sparks
2º «Jorge Coroado - O último cartão» - Jorge Baptista
3º «Uma chuva de diamantes» - Sveva Casati Modignani
4º «Este Jesus Cristo que vos fala» - Alexandra Solnado
5º «A inutilidade do sofrimento» - María de Jesus A. Reyes
Diz-me o que lês, dir-te-ei que tipo de país és.
O presidente do Serviço Nacional de Bombeiros não sabe quantos bombeiros existem em Portugal.
Sempre achei que a felicidade está compactada em pequenos momentos da nossa vida. Eu tenho para aí uma meia dúzia deles todos os dias. Há um que resulta da conjugação matinal de três elementos - café/cigarro/jornal - que pressupõem três acções praticadas num estabelecimento apropriado, vulgo café ou pastelaria. E se a trilogia se completa em sossego, tanto melhor. Não foi o caso hoje. Um minuto depois de me sentar com todos os elementos referidos à minha disposição, percebi que estava feita. Duas mulheres da mesa ao lado, teorizavam sobre a vida em perfeita sintonia de vozes esganiçadas, volume no máximo e sem revelar critério algum na escolha de temas em discussão. Para ser simples, as duas berravam. Como sou uma resistente, abri o jornal e acendi o cigarro. Parvoíce. Não consegui ler uma linha, fumei meio ventil, engoli o café em três tempos e fugi, com as vozes delas ainda entranhadas nos meus tímpanos. Duvido que as duas tenham percebido que me roubaram o direito a um dos meus minutinhos diários de felicidade. Grandes cabras.

Um especialista italiano em queijos esteve em Lisboa para provar os nossos orgulhos dentro do género. Piero Sardo bradou aos céus perante um Serra da Estrela e deixou conselhos aos apreciadores: nada de usar colheres ou facas, jamais acompanhar com pão ou bolachas, parti-lo sempre com as mãos e cheirá-lo antes de lhe meter o dente. No fim, limpar a boca com uma maçã. Curioso o ritual ainda que um tudo nada primitivo e a modos que socialmente reprovável.
Sempre Gostei de todas as ideias associadas à Ideia Maior que é a da Liberdade.
O nosso primeiro está em Bruxelas a participar na Cimeira Europeia da Primavera e hoje saíu-se com uma curiosa. José Sócrates atirou para quem o quis ouvir que considera o abandono escolar o "fenómeno mais deprimente em Portugal". É discutível que este problema seja o piorzinho que nós temos mas que é ponto assente que é algo que não nos orgulha, lá isso é. Agora, o fantástico disto tudo é que seja um primeiro-ministro de um governo em plena legislatura a admiti-lo como se fosse uma coisa fora do seu âmbito de responsabilidade, assim género "ai, eu acho horrível os miúdos deixarem de estudar mas o que é que se vai fazer?". Parece que a culpa disso acontecer não é dele nem dos governos dos últimos anos. Pois não, é dessa miudagem ociosa que não pega nos livros nem por nada. Calões.
Oito distritos de Portugal estão neste momento em alerta laranja devido ao mau tempo. Parte do tecto do corredor de acesso ao serviço de cirurgia do Hospital de Vila Nova da Gaia caiu devido às fortes chuvadas dos últimos dias. A chuva é responsável pelo atraso das obras do Túnel do Marquês de Pombal. A circulação nas pontes de Lisboa esteve condicionada devido ao mau tempo. Bombeiros registam queda de anúncios publicitários e árvores por causa do vento forte e da chuva que se faz sentir.
«Inês seguiu a caminho de Campo Maior, e mais além, Albuquerque, já em terra de Castela.
Sempre achei muita graça à Victoria Beckham. Para já, porque faz anos no mesmo dia que eu e depois porque é daquelas figuras que uma pessoa deve lembrar-se sempre que fica envergonhada quando diz alguma palermice. Por maior palermice que seja, nunca será superior a nenhuma das que Victoria costuma dizer porque ela é única. Sempre que vejo uma entrevista dela em qualquer lado, é certinho que não me escapa. Já sei que os minutos a seguir vão ser de puro deleite. Aqui, há alguns tempos, a ex-spice-girl-agora-esposa-de-jogador-de-futebol saiu-se com uma de se lhe tirar o chapéu: então não é que, depois de confessar que não consegue ler um livro até ao fim, quer começar a escrever para crianças? Não é fantástico?
O Observatório Astronómico de Lisboa é que anunciou hoje uma boa notícia: no próximo Domingo, os relógios vão adiantar 60 minutos. É a chamada "hora de Verão" o que significa que daqui a uma semana não vai haver português que se preze da sua identidade que não comece já a sonhar com férias. A bem dizer, este é daqueles sonhos recorrentes e próprios da classe média, que não têm idade nem sexo nem condição física. Basta existir, trabalhar e pronto: já se sonha com férias. Daqui a nada, é ver as agências de viagens a encher-se de veraneantes compulsivos e ginásios a abarrotar de obesos sazonais. É sempre assim. Mas não é bom?
Os dois maiores partidos de direita em Portugal andaram ocupados este fim-de-semana.
