03/06/06

Edward Hopper

(Cape Cod Morning, Edward Hopper
National Museum of American Art, Washington, D.C)

"I Think i´m not very human, I didn´t want to paint people posturing and grimacing. What I wanted to do was to paint sunlight on the side of a house".

02/06/06

CSI Beja

Uma onda de furtos em várias edifícios como a Biblioteca Municipal e a Casa da Cultura interrompeu por alguns dias o habitual dolce fare niente da cidade de Beja. A PSP local colocou-se imediatamente em campo apesar do calor não permitir grandes movimentações no terreno. Após uma delicada mas bem sucedida investigação que durou três semanas, as autoridades conseguiram deitar a mão aos criminosos e recuperar parte dos objectos furtados. Trata-se de uma rede organizada de nove menores entre os 11 e os 15 anos que se dedicavam ao roubo de gomas, chupas e rebuçados. O processo já foi encaminhado para o Tribunal e os alentejanos podem suspirar de alívio. O sossego voltou.

01/06/06

Importa-se de repetir?

«Ler sempre foi e sempre será coisa de uma minoria. Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura. O estímulo à leitura é uma coisa estranha».
(José Saramago, a propósito do Plano Nacional de Leitura apresentado hoje pelo Governo).

Estranho é ouvir um Nobel da Literatura dizer isto.

31/05/06

As tias e a infidelidade

- Olá Belicha, a menina tá estupenda!
- Rosariiiiiinho! Ouça, e você, que bom ar....
- Que querida que a menina é. A família anda benzinho?
- Muito bem, muito bem. Os piquenos no colégio, o Jaiminho sempre naquelas reuniões intermináveis de negócios. E eu na canseira de sempre. Shoppings, tratamentos de beleza, depilação, cabeleireira, fazer as jarras lá da casa, dar instruções ao jardineiro. E a Belicha?
- Vim agora do SPA e imagine lá quem é que eu encontrei?
- Conte-me tudo.
- A Nica. Tá a ver? A Nica dos Fonseca e Burnay. Coitada, a piquena está de rastos. Não é que o marido foi pa cama com uma pindérica qualquer? Medonho, medonho. Uma vergonhaça imensa pa toda a família.
- Ah... é do mais baixo nível que pode haver. Que tonto. E ela não lhe deu um estalo?
- A Nica ficou doente, calcule. Logo agora que tinham comprado aquela herdade estupenda e iam dar uma festa de verão do mais chique que pode haver.
- Que aborrecido. Ouça, nem sei o que lhe diga. E agora?
- Agora, a Nica encostou o marido à parede, tá a ver? Ou ele lhe compra um cabriolet novo ou ela vai para as revistas armar uma escandaleira do pior.
- E ele vai comprar-lhe o cabriolet?
- Ouça, parece que sim.
- Ò Rosarinho, não me leve a mal mas tenho de ir. Preciso de telefonar já pa o Jaiminho, sei lá. Como é que eu não me lembrei disto antes?
- Belicha... a menina quer dizer que... Não posso!!!
- Tá a ver aquela secretária medonha do Jaiminho? Pois é. Andaram enrolados. Ouça, mas não quero saber. O Jaiminho vai ter que me oferecer aquele Cartier que eu ando a namorar.
- Que máximo! A menina é do mais esperta. Vá já telefonar-lhe.
- Adeus Rosarinho. Um beijo para si, sua estupenda.
- Beijo, Belicha.

30/05/06

Não estás só, Bibi

O primeiro partido do mundo a assumir-se como defensor da pedofilia e da prostituição infantil nasceu hoje na Holanda. O fundador é um tal de Ad-van-qualquer-coisa que tem 62 anos mas parece ter muito menos de idade mental. O senhor acha portanto que as crianças devem acostumar-se cedo ao sexo e ninguém deve proibi-las de nada, muito pelo contrário. A ideia até é pô-las a jeito para que os adultos façam negócio com elas. Tudo de forma muito higiénica e, de preferência, legal. Eu gosto da Holanda das bicicletas, das túlipas, dos moinhos, do Vermeer, do Museu Mauritshuis e do Tribunal Internacional de Justiça. Até simpatizo com a Rainha Beatriz. Mas juro que não volto lá enquanto este homem não for atirado a um dos canais de Amesterdão com três calhaus gigantes amarrados aos pés. No mínimo.

28/05/06

Bela tirada

"A gente não constrói nada a não ser a partir da própria sucata".
(Miguel Falabella em entrevista à Única do Expresso)

26/05/06

É hoje

Vou para aqui...
... e não sei se volto.
Bom fim-de-semana.

25/05/06

Carta aberta ao comentador do post anterior

Caro comentador assumido ou anónimo deste blog,
Venho por este meio agradecer-lhe o enxovalho do post imediatamente anterior a este e a sua disponibilidade para contribuir para a causa que abracei: chegar aos 1000 comentários depreciativos. Dou por terminado o desafio mesmo sem ter atingido o objectivo a que me propus, responsabilizando-me inteiramente por esta derrota. Falhei nesta missão mas vou continuar a lutar por um mundo onde as pessoas possam dizer mal umas das outras, de uma forma livre, assumida e frontal. Termino esta missiva da mesma forma com que iniciei: um agradecimento especial a si, caro comentador assumido ou anónimo, que deixou aqui o seu enxovalho sem ter recorrido a nenhuma espécie de alarvidade verbal, que é como quem diz não precisou de ser ordinário para me criticar a mim e ao meu blog.
Muito obrigado pela sua colaboração e volte sempre. Com ou sem enxovalhos.
Saudações democráticas,
Marta R.

24/05/06

Desafio

Podem enxovalhar-me um bocado? Dizer mal de mim e do meu blog?
Quero chegar aos 1000 comentários neste post (aceitam-se anónimos e nomes inventados).

Será possível?

Acho que sou uma pessoa tolerante com os adolescentes. Compreendo que eles escrevam tudo com "k", que digam um ou outro palavrão, que vibrem com os "Morangos", que apanhem uma piela numa festa de aniversário, que não gostem de arrumar o quarto, que sejam apanhados aos mélos à porta da escola ou que vejam na figura maternal a pessoa mais chata do mundo.

É assim a adolescência. Há que errar até acertar.

Já não consigo fechar os olhos aos que estão a sair da adolescência sem ter aprendido nada com ela. Por exemplo, o "Jornal de Notícias" divulga hoje um estudo efectuado na Universidade de Coimbra que dá arrepios. Eis alguns dos resultados:
- 32,3% dos inquiridos concorda com a prática de actos de violência física ou simbólica no âmbito da praxe académica.
- 28% discordam da ideia de que a praxe deve ser facultativa e respeitar quem não quiser aderir.
- 80% dizem-se favoráveis à discriminação sexual, recusando qualquer revisão do código da praxe que igualdade os direitos de homens e mulheres.

Estes jovens estudam na Universidade e serão os nossos gestores, políticos, médicos, advogados, juízes, jornalistas, professores, arquitectos, cientistas, empresários.
São os homens de amanhã. Mas quando é que vão crescer?

23/05/06

Bom gosto

Ontem, recebi uma carta daquelas à antiga. Com nome e morada escritos à mão em letra pequena e redondinha. Com um endereço parado no tempo em que o código postal tinha só 4 números e os telefones não tinham o indicativo de distrito. E com este conteúdo:

"(...) Às segundas, é a noite dedicada às senhoras com o Ladies Night onde as senhoras têm bebidas de oferta até 5 euros, às terças temos uma noite bem diferente onde privilegiamos o bom gosto e onde as senhoras têm bebidas de oferta até 5 euros e para as que vierem de mini-saia é sorteado um jantar para duas pessoas e para a melhor mini-saia é selecionada para um sorteio final de uma viagem ao Açores (...)".

Portanto, bom gosto para estes senhores é uma casa cheia de gajas de mini-saia a beber à pála mas sem grandes excessos para não dar confusão e um fim de semana no Açores com o engate da noite. Estou tentada a tirar a mini-saia do roupeiro só para ouvir alguém tratar-me por "senhora".

22/05/06

Desobedecer

Da China chega mais um exemplo de poder paternal elevado ao extremo. O Governo não deu autorização ao realizador Lou Ye para comparecer ao Festival de Cannes (e ele foi, o rebelde) e vai daí toca de castigá-lo como se faz aos meninos rabinos: nos próximos cinco anos, não há filmes para ninguém. Que se dedique ao Taoísmo, à cultura do arroz ou ao Kung Fu porque exercer a sua profissão é que não. Não se desobedece a um governo desta maneira sem uma punição como deve ser. E não levar umas bofetadelas já é uma sorte. Ai, o menino.

19/05/06

O nosso triste fado

Portugal - representado este ano pelo grupo Non Stop - ficou de fora da final do Festival Eurovisão da Canção 2006 a realizar no Sábado, em Atenas.
(Nota: Este post é dedicado ao Luís F)

18/05/06

Uma ideia

Um dia, ainda haviam de inventar um depósito de características humanas para as pessoas colocarem lá o que já não querem ser e saírem novinhas em folha, de alma lavada. Prontas para se tornarem o que os outros querem que elas sejam. Seria muito mais fácil e, nos tempos que correm, uma garantia de sobrevivência.

Internet

Um estudo publicado num jornal americano garante que muitos dos viciados na Internet são pessoas que possuem um historial de depressão, álcool e sofrem de ansiedade.
Agora percebo porque é que, de vez em quando, sinto um desejo incontrolável de saborear uma vinhaça branca e geladinha, num jantar entre amigos com o Sol a pôr-se no horizonte. Está tudo explicado. Raios partam a maldita da net. Não só me vicia como ainda expõe os meus pecados todos em praça pública.

17/05/06

Deserções

Levantar cedo, fazer a cama, manter as coisas arrumadas e não poder usar sempre o telemóvel são as razões apontadas por um almirante para explicar o crescimento acentuado de deserções na Marinha Portuguesa. Muitos não passam sequer da primeira semana de incorporação. Só a ideia de ter de esticar diariamente os lençóis da cama acaba com os sonhos mais heróicos de qualquer marujo. Uma guerra ao pé de tantas exigências não passa de um jogo da Playstation.

15/05/06

Antes que os chineses ataquem com os pagodes...


... fica o meu contributo para a reposição da legalidade das coisas. Esta é que é a verdadeira.

Velhice

No espaço de uma semana, ouvi falar de dois casos de idosos que adoeceram gravemente em casa. Viviam ambos sozinhos e, ao que parece, ninguém deu pela falta deles durante alguns dias. Um já estava morto quando o encontraram. O outro foi para o hospital depois de uma complicada operação por parte dos bombeiros para entrar por uma janela alta. Fiquei a pensar no assunto. Que espécie de filhos e netos somos nós? Que mundo é este que bate recordes de SMS nas passagens de ano mas não comunica com os seus velhos? Que ciência é esta que se orgulha de aumentar todos os dias a esperança média de vida sem que haja condições para que ela termine com dignidade? O que são as rugas, as falhas de memória, as limitações físicas, as baixas reformas ao pé da angústia de adoecer ou morrer na mais completa solidão?

12/05/06

Ele

Ele tem 64 anos e foi acusado de violação de uma seropositiva. Ele foi a tribunal mas acabou absolvido. Ele afirma que ela "estava mesmo a pedi-las" porque se dirigiu a sua casa envergando uma saia. Ele sabia que ela era seropositiva mas tomou um duche a seguir ao acto sexual para "eliminar os riscos de infecção". Ele é Jacob Zuma, ex-vice-presidente da África do Sul, um dos países do mundo com mais infectados com o vírus da SIDA.
Ele existe ou é fruto da nossa imaginação?

11/05/06

Não será exagero?

Manuel Maria Carrilho diz que foi vítima da mais brutal campanha negativa feita no Portugal democrático. Que barbaridade.

Futebol nos jornais

Com o final da Liga (ou seja dos jogos propriamente ditos) chega a silly season do futebol. As secções do Desporto dos jornais ficam numa aflição de fazer dó. Sem declarações bombásticas de treinadores, sem lesões de última hora, sem árbitros acusados de tudo e mais alguma coisa e sem castigos sumaríssimos, resta a dança das cadeiras dos treinadores. Quem é que já assinou, quem é que vai assinar, quem vem, quem fica, quem não tem clube, quem não tem técnico. Em ano de Mundial, os jornais aliviam um bocado a pressão de noticiar o diz que disse e concentram-se em todas as palavrinhas que saem da boca de Scolari. Até as bandeiras chegarem às janelas, vai ser só disto: especulações sobre contratações de treinadores e bocas polémicas do nosso seleccionador. As outras modalidades que se aguentem à bronca. Ainda não chegaram os seus 15 minutos de fama.

10/05/06

Vingança

A chegada de brasileiros a Vila de Rei está a aterrorizar os nacionalistas. Imagine-se que o Partido Nacional Renovador prevê que, numa análise de fazer inveja ao tarólogo mais sofisticado, "algumas regiões do país serão completamente controladas por imigrantes que até podem reclamar a independência"(in Diário de Notícias). Pois. Vê-se logo que estas duas famílias brasileiras vieram para cá com o plano ultra-secreto de vingar a viagem de Pedro Álvares Cabral. Estes xenófobos são uns visionários.

09/05/06

Dr. Phil

Gosto da SIC Mulher. Tem uma grelha light mas bem humorada e pormenores simpáticos como os videoclips nos intervalos da programação. Não tem novelas nem tem o José Castelo Branco e isso, nos dias que correm, é muito bom. A única coisa que me faz mudar de canal é um talk show chamado "Dr.Phil". Acho aberrante aquele homem enorme de olhos pequeninos e sorriso trocista, que tem a mania que sabe tudo em matéria de relacionamentos. Parece que é psicólogo mas gosta de trabalhar com assistência, contrariando aquilo que nós pensamos que deve ser o comportamento de um profissional desta área. Senta os pacientes no palco, pergunta o que lhe apetece sem se preocupar com a dignidade deles, lança blocos de imagens das vítimas a discutirem com os maridos ou a beberam às escondidas, faz piadas com as desgraças dos outros e até já se deu ao luxo de levar a mulher ao estúdio para mostrar a toda a gente o que é um casamento perfeito. Consta que foi considerado uma das dez pessoas mais fascinantes do mundo. Eu punha o Dr. Phil mas era no ranking dos mais imbecis da televisão.

08/05/06

Solidariedade

Este fim de semana, o Banco Alimentar Contra a Fome recolheu 1.135 toneladas de géneros alimentícios em superfícies comerciais, um aumento de 130 toneladas em relação a 2005. Não me surpreendeu porque o número tem vindo a crescer todos os anos mas deixou-me feliz por perceber que a crise não serve de desculpa para não oferecer um litro de leite ou uma lata de atum a quem precisa. Os portugueses que alinham nesta iniciativa só podem ser gente boa e os responsáveis pela campanha, gente inteligente. Recolher alimentos num supermercado e receber excedentes de produção dos sectores agrícolas e industriais são ideias simples mas eficazes. Funcionam quando postas em prática e, ainda por cima, têm um objectivo nobre. Nestas alturas, é que me apetece colocar a bandeira na janela e cantar o hino. Sem precisar dos golos do Cristiano Ronaldo para nada.

07/05/06

Mães

É domingo, o sol brilha, a temperatura está amena e as mães de todo o país têm as jarras cheias de flores. Parece tudo perfeito e tranquilo. Tudo não. "Seis secretários de Estado do Governo socialista omitiram nas declarações entregues no Tribunal Constitucional o valor do rendimento anual obtido em 2005 (in Correio da Manhã)". Aposto que hoje há para aí meia-dúzia de mães que estão a perguntar-se a si próprias porque é que não conseguiram ensinar aos seus rebentos que é muito feio mentir.

04/05/06

Passadeiras

Andar a pé em Lisboa não é para todos. Qualquer dia, torna-se mesmo um desporto radical, impróprio para cardíacos e corpos pouco ginasticados. É preciso ter estaleca para saber contornar os cócós da calçada, curvar com agilidade e elegância os transeuntes que só andam em linha recta, não cruzar jamais o olhar com os vendedores de seguros cheios de acne e de mau aspecto, escapar às escamosas cuspidelas do alheio, ziguezaguear por entre os carros em quatro piscas permanentes e por aí fora. Isto nos passeios.
E quanto às passadeiras, domínio que se quer absoluto do peão?
Fiquei a saber hoje que alguns (muitos) semáforos de Lisboa não respeitam a lei que determina que um peão deve atravessar uma passadeira de 9 metros em 22,5 segundos. Há sítios onde é preciso atingir os 15 metros em 14 segundos para não levar com um carro em cima. De repente, pensei nos velhos e nas pessoas com dificuldades de locomoção. Mesmo 9 metros para 22,5 segundos é manifestamente pouco para eles. É um perigo. Um suicídio aprovado por decreto.

03/05/06

Sonho Com Uma Noite de Verão

Se há altura do ano que me irrita é esta. A da Primavera. Estes meses de Abril e Maio. Não são carne nem são peixe. Em bom rigor, tudo o que se situa nesta indefinição, neste frágil equilíbrio de forças, tira-me do sério. Já com o Outono é a mesma coisa. Aquele friozinho quase cortante, o céu cinzento, a chuva dos tolos. Agora, são as flores que estão bonitas, o céu que está azul, o calor que aperta mas só quando o Sol está alto. Enerva-me. Prefiro o gelo assumido dos dias de Inverno ou a sufocante canícula do Verão. Ao menos, sei exactamente com o que conto. Acordo de manhã a pensar qual a combinação mais perfeita do cachecol com as luvas ou da camisolinha de alças com a chinela. Não ando a bufar o dia inteiro a pensar que "afinal, está frio" ou "que calor, não devia ter trazido este casaco". Para mim, duas estações por ano eram mais do que suficientes. E se chegassem a horas com temperaturas a condizer, nas datas certas, tanto melhor. Gosto de alguma ordem e disciplina nestas coisas do tempo.

Cinco Milhões e Meio

Mais de cinco milhões e meio de crianças morrem todos os anos de subnutrição, conclui o relatório da UNICEF "Progress for Children: a Report Card on Nutrition", divulgado esta terça-feira. Mais de metade destas crianças habitam em apenas três países: Bangladesh, Índia e Paquistão. (in TSF online).
Se estes países se situassem no Médio Oriente, as altas taxas de mortalidade infantil serviriam de pretexto para uma guerra preventiva por parte dos EUA?

01/05/06

Infinito Particular

Acabei de colocar esta rapariga a soar no meu iPod e gostei.

Prova de vida

Freitas do Amaral diz que está satisfeito com "alguns êxitos" que obteve no exercício das suas funções e que não se considera "politicamente morto". À falta de uma pancadinha nas costas que sabe sempre bem, o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros chega-se à frente e toca de tirar um auto-elogio da cartola. Depois, lembra a todos da sua existência. Está certo. A fazer fé na velha máxima da recauchutada Lili Caneças que diz que "estar vivo é o contrário de estar morto", ele só pode estar vivo. Freitas do Amaral ainda mexe e arrisca-se a bater todos os recordes em matéria de tiradas brilhantes. Não é para todos.

29/04/06

Flatulência


«Uma pessoa nunca deve assumir um peido em público. Quem o diz é a lei não escrita, a lei que decorre dos costumes. Trata-se da única regra verdadeiramente sagrada da etiqueta americana. Os peidos não têm origem em ninguém nem vêm de sítio nenhum; são emanações anónimas que pertencem ao grupo como um todo, e, mesmo quando todas as pessoas na sala sabem quem foi o culpado, a única atitude saudável é negar terminantemente».
"As Loucuras de Brooklyn", Paul Auster

28/04/06

Ser chefe

«Ser chefe, é antes de tudo, apreender as necessidades de um grupo humano relativamente à missão que têm a realizar; é coordenar os esforços de todos no mesmo sentido; é comunicar a todos a esperança de vencer e fazer com que todos partilhem da alegria de ter vencido (...) Proibir ou inibir não é o caminho mais certo para retirar o que de melhor têm os homens. É antes uma demonstração de forças que só revela a incapacidade de um chefe para motivar a sua equipa sem recorrer ao poder que detém (...) O chefe não é um domador que subjuga; nem um orgulhoso que humilha. É um servidor cuja forma de serviço é assumir a sua parte de responsabilidade e ajudar os outros a assumir a sua (...) A virtude principal dum chefe, e talvez a mais rara, é a humildade. Se os nossos chefes não estão disso profundamente convencidos, se não sabem captar as lições autênticas que lhes vêm dos homens e das coisas, se persistem nas suas opiniões a ponto de não querer escutar ninguém, depressa ficarão vazios e ultrapassados.»

Proletários de todo o mundo, uni-vos para exigir chefes que o saibam ser com inteligência.

(Nota: o texto entre aspas é uma compilação de frases cujos autores eu desconheço mas subscrevo na íntegra).

27/04/06

Montra virtual

Aqui há uns dias, resolvi ir espreitar uma coisa chamada Hi5. Parece que se tornou moda entre os adolescentes, sempre mais permeáveis a estas modernices. Registei-me neste “convívio virtual” ou “serviço online de amizades” ou lá o que é e aí fui eu com uma pontinha de curiosidade, outra de desconfiança. Andei para cá e para lá, abri várias páginas, dei uma olhadela aqui e ali e pronto. Saí, retirei o meu registo e não volto à carga. Confirmei as minhas desconfianças todas. Trata-se sem dúvida de um produto destinado aos sub 18, o que é muito compreensível. A miudagem está em idade de fazer e desfazer amizades como quem troca de camisa. É saudável e faz parte do crescimento. Acho é estranho haver tantos adultos por lá com padrões de comportamento semelhantes. As páginas das mulheres despertaram-me uma curiosidade especial. A ideia com que fiquei é que parece implícita uma competição do género “Miss Hi5” onde as concorrentes aparecem dispostas em catálogos, em busca da amizade mais "desinteressada". Descarregam as suas fotos – às dezenas – em poses estudadas ao pormenor e décors a condizer. Há de tudo: na praia em bikini, na esplanada com óculos escuros, na neve com os skis, em cafés com os amigos, em casa com os cães, sérias, com ar grave, contentes, eufóricas, com a língua de fora, a fazer boquinhas sexys, com a mão na anca, de copo na mão, morenas, louras, com madeixas ou nuances. Um paraíso para qualquer gajo. É só ter olho e alguma criatividade para deixar um comentário a preceito. De preferência, com alguma alusão a um atributo físico. Elas não estão lá para outra coisa.

26/04/06

Promiscuidades

"George W. Bush anunciou hoje que Tony Snow, jornalista do canal Fox, será o novo porta-voz da Casa Branca" (in Público). Este profissional da comunicação social, que em tempos redigiu os discursos do pai Bush, regressa agora à cena política para dar uma mão ao júnior que está em trabalhos com uma popularidade a cair a pique. Entre uma administração e outra, Tony podia ter optado pela prática do golfe ou por fazer mergulho nas Maldivas mas não: andou entretido a fazer jornalismo até aparecer alguma coisita melhor. Qualquer semelhança entre ele e Fernando Lima (ex-assessor de Cavaco Silva na versão Primeiro-Ministro, ex-director do "Diário de Notícias" e actual assessor de Cavaco Silva na versão Presidente da República) só pode ser mera coincidência. Ou não. Depende da perspectiva e da quantidade de algarismos do cheque do ordenado.

25/04/06

Morangos sobredotados

Inês Simões e Luís Lourenço fazem parte do elenco de "Morangos Com Açúcar". São dois jovens fresquinhos, giros e com um ar simpático e limpo. Se tiverem juízo, inteligência, capacidade de trabalho e talento podem, um dia, tornar-se actores porque, na verdade, ainda não o são. Toda a gente sabe que, salvo algumas excepções ao nível do elenco sénior, as estrelas desta série juvenil são recrutadas em agências de modelos e castings mediáticos onde se deixa foto de rosto e de corpo inteiro. Não se exige formação nem experiência: só uma cara laroca e arruma-se o assunto. Pois bem, a Inês é modelo e foi a segunda classificada num concurso de beleza. O Luís participou em anúncios publicitários. Não consta que algum deles tenha estudado para o ofício, ambos são estreantes e andam pela casa dos vinte anos. Hoje, descobri que os dois estão a dar formação num workshop sobre técnicas de interpretação. A ideia é seleccionar miúdos para frequentar uma escola de actores a inaugurar em Braga. Se calhar sou eu mas acho isto tudo um bocado estranho. Como é que se ensina alguma coisa sem ter aprendido quase nada?

23/04/06

Ipod Nano

Já andava desconfiada de que ia gostar dele. O aspecto agradou-me logo: branco, linhas direitas, fininho, simples, sem luzinhas a piscar nem botões supérfulos. De uma elegância só. Agora, que descobri o que está para além da aparência e ouço pela primeira vez "Mar Nha Confidente" de Cesária Évora neste curioso objecto pouco mais grosso do que um cartão multibanco percebo tudo: as pessoas deviam ser todas como o Ipod Nano. Bonitas por fora e competentes por dentro.

20/04/06

10 passos para conquistar um gajo

1. Analisar em profundidade o terreno. Impõe-se o conhecimento com um grau razoável de certeza dos gostos e das preferências, dos ódios e das embirrações do alvo. «Que curioso, eu também adoro caminhar à beira-mar quando o sol se põe».

2. A disponibilidade para ouvir mais e falar menos é essencial. Uma confidente meiga e carinhosa disfarça qualquer alma perversa e com segundas intenções. «Sabes que podes desabafar comigo sempre que precisares».

3. Numa fase mais adiantada, já se justifica um atrevimento verbal como passar a tratar o alvo por outro nome que não o próprio. Aumenta o nível de confiança e faz a necessária distinção entre ela e os outros. «Claro que vou ver-te a jogar futebol, fofinho».

4. Informações sobre ex-mulheres, ex-amantes, ex-namoradas nunca são demais. A estratégia passa por não repetir os erros cometidos pelas anteriores e saber vincar bem as diferenças. «Que horror, a tua ex não se depilava durante o Inverno? Eu seria incapaz».

5. A conquista da família do alvo é um passo primordial. O segredo é distribuir elogios, quanto mais melhor, por todos os elementos que dela fazem parte, cães e periquitos, incluídos. «Aquela lasanha que a tua mãe faz é simplesmente única».

6. Fazer muitos planos é sempre bom. Projecta a relação no futuro e evidencia o empenho na continuidade. «Gostava tanto de ir à República Dominicana contigo».

7. Os intervalos entre os encontros devem ser sempre preenchidos com telefonemas e SMS distribuídos equitativamente pelo horário de expediente. É importante que o alvo nunca se sinta esquecido ou negligenciado. «Tens de comer qualquer coisa antes de ires para a reunião».

8. Os amigos do alvo são sempre os melhores do mundo, de tão divertidos e simpáticos. A integração no círculo de amizades dele deve ser feita tão rápido quanto possível. «E se combinássemos um fim-de-semana com o João e a Maria? Eles são uns queridos».

9. O bem-estar físico e mental do alvo é uma prioridade absoluta. Qualquer sintoma de febre ou tosse persistente, exige reacção à altura. «Vou já fazer-te uma canja deliciosa».

10. A frase “Amo-te muito” deve ser utilizada em doses industriais e em todas as circunstâncias, sem excepção. Nunca é demais e cai sempre bem.

18/04/06

The Pulitzer Prizes 2006

New Orleans, LA -- Kimi Seymour, 27, took a break from pushing her few remaining possessions along Interstate 10. (September 1, 2005. Photo by Irwin Thompson.)
Ou o furacão Katrina visto por The Dallas Morning News.

Uma imagem soberba. O desespero e a angústia. Os pertences num carrinho de compras. Uma estrada sem fim à vista. A solidão e as forças no limite. Está tudo lá.

Quando a emenda é pior do que o soneto

Os deputados que se baldaram ao trabalho em vésperas de fim de semana prolongado desdobraram-se em explicações nestes últimos dias. É normal. Toda a gente se tenta desculpar quando comete uma falha destas. É o filho que adoece com uma pontinha de febre, é a mãe idosa que tem consulta externa no hospital, é a inspecção do carro cujo prazo acaba naquele dia, é a ida às finanças para resolver um assunto de vida ou morte, é a escritura da casa e o que mais a nossa imaginação ditar. No caso dos deputados, é tudo mais fácil. Invocam-se "motivos políticos" e pronto. Sabe lá o cidadão o que isso significa na realidade. Pode ser tudo e mais alguma coisa. Agora, o PS decidiu propor algumas medidas para evitar escandaleiras futuras. Estudam-se, portanto, hipóteses de impedir mais baldas. Coisas do género enviar cartas ou telefonar aos deputados para avisá-los de que têm leis para votar e institucionalizar o sistema de folhas de presença. No fundo, no fundo, o que o PS pretende é lembrar aos deputados que têm de trabalhar e merecer o ordenado que nós lhes pagamos. Só isso, mais nada. É tão simples que eu não percebo porque raio precisam eles de um telefonema.

17/04/06

Um momento de egocentrismo

Hoje, estou de parabéns.

13/04/06

Pronto, nem tudo está mal. Os malmequeres estão bonitos nesta altura do ano.

Acordei assim

Um juíz do Supremo Tribunal de Justiça faz a pedagogia da palmada, 119 deputados foram de férias e deixaram leis para serem votadas, a Igreja anuncia que ver muita televisão, ler muitos jornais ou navegar muito na net é pecado, o Irão está a nove meses de obter a bomba atómica e um alemão processou o coelho da Páscoa por provocar obesidade e ataques cardíacos.
Eu não sou de intrigas mas hoje há qualquer coisa de errado no mundo.

12/04/06

Desabafo de uma amiga

«Há uns tempos, por força de circunstâncias profissionais, cruzei-me com uma mulher de 40 anos, brasileira, ex-gerente de um bar de alterne na cidade das mães, católicas, apostólicas, que vão ao domingo à missa. A mulher, bonita, mas já com alguns sinais de quarentona - e se tem essa idade qual é o problema? – numa situação de desespero, confessou-me que temia pelo seu futuro. Sem trabalho, sem documentos (estes foram apreendidos pelo tribunal na sequência de um processo de investigações), disse-me que cada dia que passa perde uma oportunidade na vida. E porquê? “Porque tenho mais um cabelo branco, uma ruga, em suma estou-me tornando velha”, lastimou. No entanto, referiu que se sentia cheia de vida, que o seu interior era o de uma jovem de 18 anos. Pronta para tudo, para trabalhar, para mudar de profissão, para enfrentar o preconceito.
Andei uns tempos a mastigar o assunto. Aquela mulher não era velha… tinha 40 anos.
Esta semana deparo-me com o preconceito às sub-30. Vou a caminho dos 35, solteira, independente. Estou segundo as regras da nossa sociedade ultrapassadíssima. Senti-me velha pela primeira vez na vida quando entrei num banco para pedir um crédito à habitação. Quando a funcionária, também uma mulher, mas a caminho dos 50, ou mais, torceu o nariz quando lhe disse a idade e o estado civil. “Já não é jovem portanto é tudo mais difícil e sozinha”, atirou por cima do balcão. Defendi-me. Perguntou-me se era enfermeira. “Eu não, porque raio havia de ser enfermeira”, retorqui e acrescentei “sou jornalista”. Pior… novo franzir do nariz, desta vez mais forte e acompanhado de um Ui!!!! Sonoro… estridente. “É pena, ia para os 360, assim não”. Que raio serão os 360? Os clientes VIP!!!?
Admito que sai do banco de rastos, sem vontade nenhuma de fazer a aquisição do apartamento, e com vontade de ir para outro canto qualquer do globo, montar a barraca. Considerada velha, apesar de não ter ainda rugas e estar em forma graças ao vicio de fazer exercício físico, com uma profissão sem estatuto, sem um vencimento chorudo, solteira, sem dois filhos, um duplex, um automóvel GTi, um cão e um ar de falsa felicidade, não interesso ao banco, nem à funcionária do banco. Já sou obrigada a enfrentar o assédio dos machos da rua onde moro, que, só porque vivo sozinha, pensam que estou disponível… as críticas dos ex-namorados que quando acompanhados das jovens esposas, ou namoradas, fazem apreciações ao meu estado civil. E agora a mulher do banco!
Pela primeira vez compreendi porque razão algumas mulheres escondem a idade em termos sociais, o motivo porque algumas fazem figuras ridículas, muitas vezes, ao tentar meter-se em roupas que não as favorecem de todo, só para parecerem mais jovens. Então, não temos direito a escolher a nossa própria vida? Temos de seguir os estereótipos da publicidade da TV…Precisava de desabafar».
Glória

Tradição

Há 14 anos que os trabalhadores dos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura fazem greve no fim de semana da Páscoa. Eu aposto que eles já nem se lembram do que reinvidicam. A coisa assumiu contornos de tradição e não é bonito acabar com os costumes que caracterizam a nossa identidade. E depois, estes dias dão um jeitaço para dar um pulinho à terra ou até mesmo ao Brasil, que está com pacotes turísticos tão em conta. A Ministra da Cultura que não se esforce para tentar resolver a situação: estes trabalhadores estão que nem uns irredutíveis gauleses prontos para arrasar com as pretensões de qualquer romano. Não são como os fracos dos colegas espanhóis que vão permitir o alargamento do horário de funcionamento dos museus estatais durante a Páscoa. Imagine-se que até vão ser promovidas exposições temporárias, concertos, sessões de cinema e peças de teatro, com o objectivo de responder à maior procura que se verifica neste período. Olha, olha... Era o que faltava! As minhas ricas férias da Páscoa!

11/04/06

Romeu e Julieta

Ontem, um idoso de 74 anos tomou uma decisão difícil na solidão do quarto que partilhava com a mulher, de 80. Atormentado com o sofrimento dela, causado pela doença de Alzheimer, matou-a com uma bala na cabeça. Depois, foi para a rua e estoirou com a cabeça dele também. Diz um amigo da família que foi o "desespero e o desgosto". Eu digo que foi o amor. Tem tudo a ver.

Top de Vendas das Livrarias Bertrand



1º «Amor à primeira vista» - Nicholas Sparks
2º «Jorge Coroado - O último cartão» - Jorge Baptista
3º «Uma chuva de diamantes» - Sveva Casati Modignani
4º «Este Jesus Cristo que vos fala» - Alexandra Solnado
5º «A inutilidade do sofrimento» - María de Jesus A. Reyes

Diz-me o que lês, dir-te-ei que tipo de país és.

10/04/06

Mais coisa menos coisa II

O presidente do Serviço Nacional de Bombeiros não sabe quantos bombeiros existem em Portugal.
O ministro da Saúde reconhece que existe uma "forte" probabilidade de um em cada 100 doentes internados em Portugal vir a morrer por infecção hospitalar.
Os responsáveis pela construção da Casa da Música, no Porto, revelam que a obra triplicou de preço face ao inicialmente previsto.
O Instituto Nacional de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge garante que afinal poderão morrer 19 mil portugueses com a pandemia da gripe e não 12 mil como estavam previstos.

Oxalá os italianos sejam melhores do que nós a Matemática senão ainda se arriscam a levar com o Berlusconi outra vez.

09/04/06

Devia era ter sido o Grande Prémio

José Carlos Carvalho (Diário de Notícias)
Menção Honrosa na Categoria Notícias - 6º Prémio Fotojornalismo Visão/BES

Mais coisa menos coisa

O número de mortos em Portugal no caso de uma pandemia de gripe deverá ser 19 mil e não os 12 mil previstos em Junho do ano passado, pelo Instituto Nacional de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge (segundo a Antena 1). Das duas uma: ou alguém do Instituto não sabe fazer contas ou apareceram para aí 7 mil portugueses vindos não se sabe muito bem de onde.

07/04/06

Fabrício Carpinejar...

... é um poeta gaúcho do qual não conheço obra. Li uma entrevista dele hoje no DN e tenho a certezinha de que vou comprar o livro, "Caixa de Sapatos", que ele vai lançar. Só por estas duas respostas, acho que já vale o investimento.

"Eu prefiro o ínfimo, a intimidade do que é desperdiçado. Sou um catador do mínimo, do que não serve ao jornalismo. Um observador indiscreto. Fico a escutar as pessoas por aquilo que elas não falam. Aquilo que elas querem esconder. O que elas pretendem esconder é o meu poema".

"O amor tem de ser lento como um rio esculpindo as margens. Ninguém diminui a solidão com o casamento. A solidão é solteira e por toda a vida. Com o casamento, nós diminuímos o isolamento e a solidão fica habitável".

Acho bem dito.

Injustiça

Sempre achei que a felicidade está compactada em pequenos momentos da nossa vida. Eu tenho para aí uma meia dúzia deles todos os dias. Há um que resulta da conjugação matinal de três elementos - café/cigarro/jornal - que pressupõem três acções praticadas num estabelecimento apropriado, vulgo café ou pastelaria. E se a trilogia se completa em sossego, tanto melhor. Não foi o caso hoje. Um minuto depois de me sentar com todos os elementos referidos à minha disposição, percebi que estava feita. Duas mulheres da mesa ao lado, teorizavam sobre a vida em perfeita sintonia de vozes esganiçadas, volume no máximo e sem revelar critério algum na escolha de temas em discussão. Para ser simples, as duas berravam. Como sou uma resistente, abri o jornal e acendi o cigarro. Parvoíce. Não consegui ler uma linha, fumei meio ventil, engoli o café em três tempos e fugi, com as vozes delas ainda entranhadas nos meus tímpanos. Duvido que as duas tenham percebido que me roubaram o direito a um dos meus minutinhos diários de felicidade. Grandes cabras.

06/04/06

Orgulhosamente Só

Paulo Portas ontem esmerou-se. Na sessão comemorativa dos 30 anos da Constituição Portuguesa deu para destratar a aniversariante, considerando-a "um erro histórico". Nada simpático. Claro que lhe caíram todos em cima e com razão. Eu também não gostei. Para mim, a nossa constituição não tem culpa nenhum do que se faz de mal neste país. Pelo contrário, até acho que devia ser levada mais à letra. Principalmente, aquela parte que fala da tendencial gratuitidade da saúde e da educação. De doentes e analfabetos estão os países terceiro-mundistas cheios. Isso é que está errado.

05/04/06

Foi bom enquanto durou

(foto elmundo.es)

04/04/06

Rica ideia

"Os polícias russos vão ter aulas de etiqueta depois de terem sido feitas várias queixas devido ao seu comportamento rude" (in site Portugal Diário). Há medidas que deviam ser de importação obrigatória.

Linha de montagem



Hoje apetece-me olhar para o umbigo e desancar na minha geração. Os trintões são uns grandes chatos. Entalados entre os vintões e os quarentões, assim numa espécie de Terra de Ninguém onde já não se é jovem nem se é ainda adulto de corpo feito, estão umas autênticas latas de salsicha a rolar pela linha de montagem. Não se distinguem no aspecto e no conteúdo. Trintão que se orgulhe de si a esta altura do campeonato já trocou o utilitário em 15ªmão pelo monovolume cinza metalizado, o crédito jovem pelo condomínio fechado, o futebol na praia pelo golfe da Quinta da Marinha, a pousada da juventude pelo resort na República Dominicana, o Swatch pelo Rolex, as t-shirts da feira de Carcavelos pelo atendimento personalizado da Sacoor, o SG Ventil pelas cigarrilhas, os caracóis pela sapateira, a imperial pelo whisky. Os filhos andam nos colégios campeões em actividades extra-curriculares, as digressões à casa dos pais e dos sogros têm dia marcado e ponto para picar, as festas em casa de uns e de outros são de elenco residente e presença obrigatória, as férias não se fazem a dois mas a quatro ou a seis em duplo com cama extra. Os homens lêem Dan Brown e andam preocupados com a barriga e com o déficit capilar, as mulheres, fãs de Margarida Rebelo Pinto, já não aguentam o tamanho das coxas e o peito descaído. Fala-se de amantes com os amigos chegados, suspira-se pelo traseiro do vizinho do 4º direito ou pela colega do departamento de pessoal. As discussões perderam a graça: não se grita porque os miúdos estão a dormir e porque também não vale a pena. Aos trinta anos, já ninguém muda. É sentar no sofá IKEA em frente ao ecrã LCD com Dolby Surround e esperar pelos quarenta.

03/04/06

Coitado

"Um indiano pronunciou três vezes durante o sono «divorcio-me de ti». Os líderes religiosos ordenam-lhe agora que abandone a esposa" (in site Portugal Diário).
A isto chama-se levar tudo à letra. Ou com o sono me enganas. Ou a dormir, a dormir... Ou uma pessoa já não pode sonhar alto, pronto. Ou lixei-me porque estavas com insónias. Ou que chatice, fugiu-me a boca para a verdade. Ou, fogo, pelo menos não disse o nome da gaja.
O pobre do indiano que não dormiu o sono dos justos tramou-se, essa é que é essa.

Preguiça

Que fazer se o corpo amolece
e o espírito se dilata?
Nada em nós nos obedece.
A tarde está chata.

É do súbito calor
ou das horas brandas?
Tanto torpor,
virá de que bandas?

Da noite é de esperar
que faça vento da sufocante brisa.
E que me faça libertar,
fugir do que me pisa.

(marta, eu mesma)

01/04/06

Duas considerações

1. O ex-comissário europeu para a Imigração e Assuntos Internos, António Vitorino, em entrevista ao Expresso de hoje, afirma que "só é possível defendermos a imigração legal se não pactuarmos com a ilegal". Pois isto parece-me do mais óbvio que alguém já disse sobre os acontecimentos no Canadá. Ou há moralidade ou comem todos.

2. Esta semana, as estações de TV enviaram equipas de reportagem ao aeroporto de Lisboa e Porto com o objectivo de recolher depoimentos dos portugueses expulsos do Canadá. E como os directos têm razões que a própria razão desconhece, aconteceram algumas cenas bizarras. Assim, de repente, lembro-me de ver uma repórter a interpelar nervosamente tudo quanto era criatura com bagagem e cara de quem acabou de sair de um avião. Teve azar, coitada: passou o directo nisto e não encontrou um único imigrante português a chegar do Canadá. Nós é que ganhámos um belo momento de televisão.

31/03/06

Parabéns Puto

É verídico, eu estava lá

Cena: Um café, algures por aí.
Personagens: Três mulheres.
Tema da conversa: Homens, claro.
Tópico lançado para a mesa: “Porque é que estamos casadas com eles?”
Uma das conclusões: “O meu é bom para ter em casa”.

Não tarda nada, a Lei da Paridade terá de ser revista.

30/03/06

Autobiografias

Maria Filomena Mónica, autora de "Bilhete de Identidade", não se cansa de dizer em tudo o que é entrevista que lamenta a (quase) inexistência de autobiografias de personalidades portuguesas. Pois aqui vai uma boa notícia para ela: o mítico árbitro de futebol Jorge Coroado lança hoje um livro de memórias recheadinho de histórias do mais fino bom gosto.
Dois exemplos: durante uma estada em Paris para apitar um jogo, o ex-profissional de arbitragem conta que "apareceram" umas jovens no hotel onde ele estava instalado e "calhou-lhe" uma gaiata que lhe disse logo para o que ía. Ele não se desfez e acabou a noite a conversar "sobre tudo menos futebol". Noutra ocasião, em Bucareste, a coisa correu pior. Saiu-lhe na rifa uma bela romena com mais pedalada mas com um ar contrariado. O bom do Jorge Coroado teve atitude de homem: percebeu que ela era casada e convidou-a a sair do quarto.
A Maria Filomena Mónica que se ponha a pau. Com concorrência deste gabarito em matéria de autobiografias, o livrito dela bem pode ficar a ganhar pó nas prateleiras das livrarias. E é bem feito. Quem é que a mandou dizer que os portugueses não se pelam por contar as suas proezas pessoais?

29/03/06

Queijo

Um especialista italiano em queijos esteve em Lisboa para provar os nossos orgulhos dentro do género. Piero Sardo bradou aos céus perante um Serra da Estrela e deixou conselhos aos apreciadores: nada de usar colheres ou facas, jamais acompanhar com pão ou bolachas, parti-lo sempre com as mãos e cheirá-lo antes de lhe meter o dente. No fim, limpar a boca com uma maçã. Curioso o ritual ainda que um tudo nada primitivo e a modos que socialmente reprovável.

28/03/06

Está muito bem

Hoje foi um dia bom. O Sol voltou.
Há melhor?

27/03/06

Está muito mal

Quando comecei a ouvir falar na hipótese do GNT deixar de pertencer ao pacote de canais da TV Cabo, não acreditei. Para já, porque o canal é visto todos os dias por cerca de 750 mil almas e está sempre no top ten do ranking, o que não admira nada porque temos imensos brasileiros a viver cá e outros tantos portugueses que partilham dos mesmos gostos televisivos. Depois, porque só o GNT é que tem profissionais como o Jô Soares e a Marília Gabriela, sitcoms como "Os Normais", programas como "Altas Horas", "Videoshow" e "Saia Justa".
Pois fiz mal em não acreditar. O GNT vai mesmo à vida e vem aí a TV Record. Estou para ver o que vamos ver mas há um pormenorzinho que, à cabeça, não me deixa nada confiante: a TV Record construíu um império na comunicação social às custas do povo que enquanto bebe os ensinamentos ditados pelo Reino de Deus vai despejando o dízimo nos cofres desta Igreja Universal. Só por isso, já estou céptica. E não sou de ir à missa aos Domingos.

26/03/06

Crise aguda de nostalgia



Gostar


Sempre Gostei de todas as ideias associadas à Ideia Maior que é a da Liberdade.
Gosto, por exemplo, de "Liberdade de Imprensa", que é como se chama a exposição que está na Galeria do DN.
Achei logo que ia Gostar de lá ir.
E fui e Gostei de Gostar de tudo mas, principalmente, das peças de Andy Warhol (em cima) e Roy Lichtenstein (à direita). Dá Gosto visitar obras da colecção de arte moderna de Joe Berardo.

24/03/06

O mais deprimente

O nosso primeiro está em Bruxelas a participar na Cimeira Europeia da Primavera e hoje saíu-se com uma curiosa. José Sócrates atirou para quem o quis ouvir que considera o abandono escolar o "fenómeno mais deprimente em Portugal". É discutível que este problema seja o piorzinho que nós temos mas que é ponto assente que é algo que não nos orgulha, lá isso é. Agora, o fantástico disto tudo é que seja um primeiro-ministro de um governo em plena legislatura a admiti-lo como se fosse uma coisa fora do seu âmbito de responsabilidade, assim género "ai, eu acho horrível os miúdos deixarem de estudar mas o que é que se vai fazer?". Parece que a culpa disso acontecer não é dele nem dos governos dos últimos anos. Pois não, é dessa miudagem ociosa que não pega nos livros nem por nada. Calões.

23/03/06

Quem anda à chuva

Oito distritos de Portugal estão neste momento em alerta laranja devido ao mau tempo. Parte do tecto do corredor de acesso ao serviço de cirurgia do Hospital de Vila Nova da Gaia caiu devido às fortes chuvadas dos últimos dias. A chuva é responsável pelo atraso das obras do Túnel do Marquês de Pombal. A circulação nas pontes de Lisboa esteve condicionada devido ao mau tempo. Bombeiros registam queda de anúncios publicitários e árvores por causa do vento forte e da chuva que se faz sentir.
Nada como uma boa bátega para deixar as nossas fragilidades todas a nú.

O Amor

«Inês seguiu a caminho de Campo Maior, e mais além, Albuquerque, já em terra de Castela.
- Que te disse ela, Clarimundo?
- Tudo.
- O que é tudo?
- É o que se não diz por palavras.
- Como o disse?
- Com um olhar infinito, extenso, pousado do outro lado do que somos.
Pedro refugiou-se em Atouguia.»

(in O Amor Infinito de Pedro e Inês, de Luís Rosa, Editorial Presença, 3º edição)

O que hei-de fazer? Acho sublime esta história de amor. Tão única, tão irrepetível, tão incondicional, tão intemporal e tão trágica que pode bem nunca ter existido. Mas que deviam ser todas assim, deviam.

21/03/06

Victoria

Sempre achei muita graça à Victoria Beckham. Para já, porque faz anos no mesmo dia que eu e depois porque é daquelas figuras que uma pessoa deve lembrar-se sempre que fica envergonhada quando diz alguma palermice. Por maior palermice que seja, nunca será superior a nenhuma das que Victoria costuma dizer porque ela é única. Sempre que vejo uma entrevista dela em qualquer lado, é certinho que não me escapa. Já sei que os minutos a seguir vão ser de puro deleite. Aqui, há alguns tempos, a ex-spice-girl-agora-esposa-de-jogador-de-futebol saiu-se com uma de se lhe tirar o chapéu: então não é que, depois de confessar que não consegue ler um livro até ao fim, quer começar a escrever para crianças? Não é fantástico?
Esta é só uma das milhares de declarações bombásticas que ela gosta de fazer um pouco por todo o lado porque, além de ter sentido de humor, não é nada egoísta. Está sempre a partilhar os seus pensamentos com toda a gente. Isto tudo vem a propósito de uma notícia que li hoje no Jornal de Notícias. Parece que Victoria está decidida a investir 15 mil libras em maquilhagem para os dentes porque acha que eles estão muito amarelados. A pobre ainda tenta disfarçá-los com o uso de óculos escuros (?) mas é inútil. Segundo uma amiga, “Victoria tem medo de se tornar rídicula para as pessoas”. Estou assustada: se ela começa a tomar consciência de si mesma, acabam-se as tiradas brilhantes. Assim não tem graça.

Dia Mundial da Poesia

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Florbela Espanca)

20/03/06

A Hora de Verão

O Observatório Astronómico de Lisboa é que anunciou hoje uma boa notícia: no próximo Domingo, os relógios vão adiantar 60 minutos. É a chamada "hora de Verão" o que significa que daqui a uma semana não vai haver português que se preze da sua identidade que não comece já a sonhar com férias. A bem dizer, este é daqueles sonhos recorrentes e próprios da classe média, que não têm idade nem sexo nem condição física. Basta existir, trabalhar e pronto: já se sonha com férias. Daqui a nada, é ver as agências de viagens a encher-se de veraneantes compulsivos e ginásios a abarrotar de obesos sazonais. É sempre assim. Mas não é bom?

19/03/06

Zzzzzzz...

Os dois maiores partidos de direita em Portugal andaram ocupados este fim-de-semana.
O PSD, reunido em Congresso, ficou de marcar um Conselho Nacional para eleger um líder.
O CDS/PP, reunido em Conselho Nacional, ficou de marcar um Congresso para eleger um líder.
Já o líder do nosso Governo pode dormir descansado. Parece que, nos próximos tempos, não há oposição à vista.

17/03/06

Chá em Belém

Ontem houve feira em Carcavelos, tal como em todas as quintas-feiras. Curiosamente, este também foi o dia instituído (por não se sabe muito bem quem) para a reuniãozinha do presidente da nossa república com o primeiro-ministro do nosso governo. É uma pena porque os dois ficam assim impossibilitados de ir espreitar as últimas novidades em camisas Lacoste com o crocodilo invertido ou DVDs de filmes em cartaz que trazem extras como cabeças de espectadores que se aninham nas suas cadeiras na sala de cinema.
Adiante...
Ontem, este acto social aconteceu pela primeira vez entre Cavaco Silva e José Socrates. Parece que correu tudo bem. Habitualmente, este encontro é coisa para demorar uma hora e picos mas o primeiro-ministro ficou em amena cavaqueira (literalmente) durante cerca de duas horas e meia. Até mandou desmarcar um compromisso para estar mais à vontade! Por seu turno, o presidente preparou-se com entusiasmo para o acontecimento e procedeu a alterações na decoração da sala de reunião. Mandou retirar o sofá que lá estava, substituíndo o dito por uma mesa e duas cadeiras iguazinhas. Até podia reservar uma melhor para si que é presidente mas não: justo e generoso como só ele sabe ser, fez questão que as duas fossem gémeas. E a mesa dá imenso jeito aos dois para colocarem os seus utensílios de trabalho (fica muito melhor nas fotografias e tudo). Nos jornais de hoje, era vê-los, sorridentes e cúmplices a olharem um para o outro. Um miminho. Só houve uma coisa que eu não percebi. Antes, durante e depois da campanha presidencial, Cavaco Silva fartou-se de dizer que o que mais queria era "cooperação estratégica" com o Governo. Se assim é porque é que houve um reforço significativo em termos de segurança logo na primeira reunião dos dois? Porquê tantos agentes à paisana espalhados pelo local? Medo não podia ser. Toda a gente sabe que o que não falta em Belém são amigos do presidente. Só o Conselho de Estado está apinhado deles.

16/03/06

É só hoje

Dói-me a cabeça.

Já tomei uma aspirina e nada.
Será chuva? Será vento?
Vento não é certamente e
a chuva não bate assim.
Pronto, já escrevi.
Também tenho direito aos meus delírios ocasionais.

França 0 - Brasil 1

Ignacio Ramonet, director do insuspeito jornal francês Le Monde Diplomatique, disse ontem num debate em Lisboa que a publicação dos cartoons de Maomé "resultou de um acto irresponsável, levado a cabo em nome da liberdade de expressão. Mas este é um direito que não autoriza tudo".
Luis Fernando Verissimo, jornalista e escritor brasileiro, diz hoje numa entrevista à revista Sábado que "o humor é a arte do exagero. O humorista tem a licença tácita para tomar liberdades, como se diz, que outros não têm."
É por estas e por outras que prefiro as caipirinhas ao champanhe.

15/03/06

Ao volante

"Um estudo realizado para o Royal Automobile Club (RAC), que presta um serviço de seguros e assistência automóvel na Grã-Bretanha, revelou ontem que os condutores britânicos do sexo masculino sempre tiveram problemas em admitir que estão perdidos e, normalmente, demoram duas vezes mais que as mulheres a perguntar o caminho. Os homens esperam até 20 minutos antes de se decidirem a perguntar o caminho, enquanto que as mulheres não esperam, em média, mais que 10 minutos. Os 10 minutos de diferença, segundo a sondagem, causam um aumento de tensão entre os casais, como revela a maioria dos inquiridos, cerca de 64%, que admitiram já ter discutido no carro por essa razão". (in Jornal de Notícias).

As conclusões que eu tirei acerca dos ingleses:
1. Os homens não gostam de admitir as suas limitações e demoram 20 minutos a encher-se de coragem para reconhecer que têm uma dúvida.
2. As mulheres são impacientes e, em 10 minutos, resolvem os seus problemas.
3. Todos parecem ter dificuldade em interpretar placas de trânsito.
4. Muitos divórcios poderiam ser evitados se os casais optassem pelos transportes públicos.

"Quando me for deste mundo, sairei de mão dada com essa criança que fui".
José Saramago (in Diário de Notícias)
Nem mais.

14/03/06

Lista de despesas

"Fátima Felgueiras suporta as despesas com o filho João que está a estudar no Brasil, e paga-lhe a renda e os estudos; tem a seu cargo as despesas de uma tia idosa que está na Santa Casa da Misericórdia de Felgueiras; dá algum apoio à filha Sandra que está em Lisboa a trabalhar; e tem ainda as despesas com a Justiça devido aos processos onde tem sido interveniente nos últimos tempos". Foi deste modo até bastante descritivo que Sousa Oliveira, ex-marido da autarca de Felgueiras, justificou, ontem no Tribunal de Fafe, a indisponibilidade da ex-mulher para pagar a multa de 12.500 euros a que foi condenada por difamação" (in Jornal de Notícias).

Quem é que a mandou desatar aos impropérios ao seu ex-vereador na Câmara de Felgueiras, Horácio Costa? Não é por nada mas quem vive com orçamentos apertados não se pode dar ao luxo de mandar bocas incómodas. A vida não está para estas coisas. No meio disto tudo, quem se lixa é a tia idosa que não tem culpa nenhuma de ter uma sobrinha com queda para a confusão.

13/03/06

Rogamar



Esta semana, sem falta,

tenho que ir à FNAC comprar este CD.

Só me apetece é ouvir mornas.

Deve ser do calor.

Amanhã Já é Terça

A única coisa boa das segundas-feiras é que os bilhetes de cinema são mais baratos.

12/03/06

Amuo











O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, abandonou hoje os estúdios da RAI a meio de uma entrevista porque a jornalista não o deixava falar do que queria.
Perfeitamente compreensível. Onde é que já se viu? Então, uma pessoa disponibiliza-se para ser entrevistada e depois leva com questões incómodas? Não se admite. O homem queria falar do programa eleitoral dele e a jornalista a insistir ora na acusação de espionagem política que paira sobre o ministro da saúde italiana, ora na ideia do conflito de interesses de um primeiro-ministro que é também empresário na área dos media. Tudo coisas que não interessam nada. Políticos em Portugal, sigam o exemplo do amigo Berlusconi: nada de falar do que não querem. Façam birra, se for caso disso mas ponham os insolentes jornalistas na ordem.

Não Dá


Uma combinação perfeita de enchidos, carnes várias, couves, cenoura, batatas e arroz ao almoço deu nisto: uma tarde de kompensans e um cérebro lento demais para produzir mais do que quatro linhas.

11/03/06

Abaixo o Kapa

Não gosto da utilização abusiva da letra "k".
Não sei se é defeito de fabrico ou excesso de pudor linguístico, ainda não descobri. Sei que até consigo perdoar isso na miudagem em idade de rebeldias e códigos muito próprios, desde que me mentalize que é apenas fase passageira. Para os outros, a minha tolerância é zero. Não gosto, pronto. Porque carga de água, toda a gente tem que substituir "qualquer" por "klk", "querida" por "kida" ou "o que é que se passa" por "k é k se passa"? Que mal têm as palavras na sua forma original? Ocupam mais espaço, dirão alguns. E daí? Quando temos o frigorífico a abarrotar de comida, começamos a mandá-la fora e a substituí-la por caixas de comprimidos?
Usar o "k" em todo o lado é inestético, incorrecto e, nos adultos, cheira-me a coisa pior: tenho para mim que se trata de um sintoma de adolescência retardada, uma espécie de vontade contra-natura de evidenciar uma modernidade juvenil fora de tempo. É o efeito Lili Caneças na língua portuguesa. Ou um síndroma de Peter Pan muito mal resolvido. Venha o diabo e escolha, que eu já dei para este peditório.