Tenho a ideia de que nós, os portugueses, somos gente muito afável, que não dispensa uma oportunidade de convívio. E quando devidamente motivados, não hesitamos em defender causas importantes no seio de grupos como a Associação para a Defesa do Vale de Bestança, a Associação Portuguesa de Venda Automática, a Associação Grupo Caras Direitas, a Associação Portuguesa de Peritos Contabilistas (só peritos, atenção, gente mediana não entra) ou a Associação Portuguesa para Promoção do Hidrogénio.
E depois há aquelas corporações a que ganhamos o direito de pertencer só porque nascemos. Por exemplo, a Associação dos Telespectadores (ATV). Não há uma alma neste país que não veja televisão, portanto, esta associação é de todos nós. Na impossibilidade de enfiar 10 milhões de portugueses numa sala a discutir conteúdos televisivos, há assim uma espécie de elite iluminada que decide pela maralha. Todos os meses elege os melhores e os piores programas.
Eu acho engraçado haver pessoas que decidem aquilo que eu acho que é bom ou mau sem sequer me perguntar. É um conceito agradável, um paternalismo quentinho e confortável. E o giro é que eles não só decidem o que é bom e o que é mau como até deixam uns conselhos como quem não quer a coisa. Tipo isto, por exemplo: “a ATV gostaria de ver um dia um Herman remoçado, rejuvenescido de ideias (…) Ele não terá amigos suficientemente sinceros que lhe façam ver isso".
Quem é amiga do Herman, quem é? A ATVêzinhaaaaaaaa!