«Desejaria uma mulher capaz de dirigir um bom jantar e até de o fazer, sendo preciso... mas que não me massacrasse com queixas por causa do racionamento e dificuldades do mercado: a falta de peixe, o preço das batatas, etc. Nem me contasse intermináveis histórias domésticas: a criada que namora um polícia, o gato que bebeu o leite (...).
Uma mulher que me deixasse ler o jornal em paz, sem me interromper a cada momento ou ficando amuada porque não lhe presto atenção (...) Uma mulher que não olhasse para a minha mãe com olhos de nora ciumenta (...) mas que fosse para ela mais uma filha, evitando-me complicações familiares (...)
Uma mulher que não me desiquilibrasse o orçamento com as contas da modista mas que se contentasse de vez em quando com um vestido arranjado (...) Uma mulher capaz de compreender a doce sujeição que a esposa deve ao marido e não proclamasse a cada momento "cá em casa mando eu"(...) Uma mulher que não continuasse a flirtar depois de casada (...) e que só a mim desejasse agradar (...) Uma mulher que não fosse uma máquina falante, tagarelando sem descanso, mesmo quando não tem nada que dizer.
Por conseguinte, a mulher ideal deverá ser boa dona de casa mas sem massar os outros com os acontecimentos caseiros, compreensiva dos gostos e necessidades alheios, afectuosa para a família do marido, pontual, discreta, económica, sincera e leal, com bom génio, dócil, séria, pouco tagarela e sem usar baton. Será alguma de vós o melro branco?»
Revista Menina e Moça (M&M), edição de Janeiro de 1948 - Excerto retirado do livro 'Mocidade Portuguesa Feminina', da historiadora Irene Flunser Pimentel