30/01/13
09/01/13
Portanto,
é um bocado cedo para comentar isto e tal e tal, mas para já numa primeira leitura - ou seja onde se lê cortes até 20% de funcionários públicos e nas pensões, aumento das taxas moderadoras e das propinas - já deu para perceber que está "muito bem feito", "muito bem trabalhado" e "muito completo".
07/01/13
02/01/13
Há momentos
em que penso que o melhor para todos nós era recomeçar tudo do zero, num outro planeta ou galáxia. E, não, não me refiro à mensagem de ano novo do Cavaco ou às férias do Relvas e do Dias Loureiro no Copacabana Palace, mas sim a este grau de bestialidade que se manifesta em alguns seres infelizmente vivos, embora não inteligentes e seguramente miseráveis.
17/12/12
13/12/12
«Sei que
há casos de pedofilia, só na diocese de Lisboa conheço cinco», diz a senhora na página 10. A PGR anuncia que decidiu mandar "instaurar um inquérito". Vamos aguardar serenamente os resultados do inquérito, há averiguações e interrogatórios para fazer, cada coisa a seu tempo. Enquanto isso, na diocese de Lisboa, as "alegadas" vítimas prosseguem as suas rotinas habituais. O mundo não pode parar.
11/12/12
Sim, pois,
naturalmente que a culpa é dele. Sempre são 13 meses de governação. Imenso tempo para resolver todas as trapalhadas criadas por quem esteve mais de oito anos quase ininterruptos no poder. A culpa é dele, da Merkel, dos mercados, dos italianos, do comboio, do Pai Natal e do circo. Quero dizer, do circo, não. O circo (re)começa agora e é património exclusivo do palhaço Sílvio.
16/11/12
Não há actividade*
mais mesquinha
e desprezível dentro de uma empresa do que a bufaria. Sem falsos moralismos,
concedo – também já os fiz – comentários maldosos sobre chefias, colegas, clientes.
Este tipo de maledicência, normalmente, esgota-se dentro de um círculo fechado,
sem outros frutos que não uma gargalhada ou uma piada de circunstância. Um
comentário sobre o mau hálito de um administrativo ou sobre os sapatos feios de
um director não tem consequências para ninguém, nem sequer para o inocente alvo
que há-de continuar despreocupadamente a falar a dois cm do nariz do próximo ou
a exibir os seus magníficos mocassins plastificados de biqueira fina. E é
perfeitamente democrático: haverá sempre um momento da nossa vida, em que
seremos nós o alvo. Calha a todos e ainda bem.
Já a bufaria pertence a um
campeonato diferente. Distancia-se da fofoca logo no objectivo. O bufo quer
chegar a algum lado, ou seja, bufa para tramar alguém. O galhofeiro orgulha-se
do que faz, que é simplesmente divertir-se e divertir os outros, o bufo tem
vergonha de si próprio, precisa de se promover, tem um objectivo claro e
definido. Usa um tom gelatinoso para actuar. Nunca é "pessoa para isso", está a
bufar porque "a situação assim o exige". Porque "os interesses da empresa estão à
frente das relações pessoais". O galhofeiro não pensa no futuro, vive o momento,
é destemido e ataca ao pé da máquina do café, o bufo investe no longo prazo, é cobarde
e age na surdina. Esgueira-se em passos de pantufa até à sala do patrão onde verte o seu fel, num fio de voz doce e cândido.
Isto tudo porque hoje esbarrei num bufo em pleno exercício da sua actividade e, para evitar o vómito, parti
em busca de cafeína. Abençoada máquina de café.
*este post tem uma destinatária que, infelizmente, não é exemplar único na empresa onde ambas trabalhamos. Mas, sem dúvida, que é a que tem maior taxa de sucesso.
*este post tem uma destinatária que, infelizmente, não é exemplar único na empresa onde ambas trabalhamos. Mas, sem dúvida, que é a que tem maior taxa de sucesso.
14/11/12
13/11/12
Parece que o mundo
académico e empresarial descobriu o fascinante mundo das conferências. Os auditórios e salas com nomes pomposos deste país andam animados com o entra e sai de ilustres oradores, que aproveitam para se promover a si e às suas empresas e instituições em "debates" sobre inovação, empreendedorismo, a crise como uma oportunidade, a internacionalização e banalidades do género, que não produzem conclusões, nem ficam para a história. Os ministros e secretários de estado abrem as sessões de trabalho, coisa que não lhes leva mais do que cinco minutos das suas apertadas agendas, a comunicação social vai atrás - e quando não é a própria a promover o "evento" - lá está para sacar umas declarações avulso, descontextualizadas, preferencialmente polémicas e "à margem da conferência", que ficam sempre bem num rodapé de televisão.
As conferências são portanto úteis para toda a gente. Para mim, não passam de uma manifestação saloia de uma certa cultura empresarial feita de aparências.
09/11/12
05/11/12
O Deutsche Bank
convocou a sua grupeta de administradores e directores para uma reunião de três dias num dos hotéis mais caros de Berlim, onde alugou todos os quartos cujos preços variam entre os 320 e 15 000 euros por noite. Na agenda de trabalhos, as próximas medidas de austeridade a adoptar depois do anunciado despedimento de 2 000 funcionários. Aos seus clientes, o Hotel Adlon sugere no site um saltinho ao SPA, onde todos poderão "Vergessen Sie für ein paar Momente die Welt und lassen Sie sich in traumhaft schönem Ambiente verzaubern", que significa qualquer coisa como "esquecer o mundo por alguns instantes e deixar-se encantar num ambiente fantasticamente bonito". Não tenho dúvidas de que seguirão o conselho à letra.
31/10/12
«Tem sido penalizada
por escolher a possibilidade de abordar o lado ligeiro e superficial das coisas», diz a presidente do júri que entregou o prémio PEN à escritora Rita Ferro, que entretanto, segundo a revista Sábado, vai começar a dar cursos sobre 'a arte da escrita' no valor de 60 euros, num pacote que inclui um 'almoço-volante' na sua própria casa. Feijoada ou cozido à portuguesa estão naturalmente excluídos da ementa, que se quer light e pobre em calorias.
29/10/12
14 milhões
de jovens na Europa entre os 15 e os 29 anos, não estudam, nem trabalham, entre eles 260 mil em Portugal, conforme se lê aqui. 14 milhões de excluídos. Quem são, o que fazem, o que procuram? Ou antes, o que acontecerá quando desistirem?
27/10/12
Hoje
vim aqui só para me oferecer a mim mesma a oportunidade de escrever o que efectivamente me apetece, mas entretanto desisti porque nem aqui isso é possível. Não há folha branca - no caso, ecrã branco - por mais anónima que pareça ser que me convença que não anda meio mundo, eu incluída, a mostrar aquilo que não é nem lá muito no fundo quer ser mas sim o que o outro meio lhe exige a toda a hora. Portanto, o meu palpite é que a única coisa realmente sentida que conseguirei escrever hoje é uma carta ao Pai Natal.
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