27/03/12
22/03/12
Com dedicatória
"E, assim, lidos, viajados, falando vários idiomas, maridos das melhores mulheres – os nossos idiotas têm também os melhores cargos e exercem as funções mais transcendentes. Eu disse que estão por toda a parte: – na política como nas letras, nas finanças como no cinema, no teatro como na pintura. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: – ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina".
«O óbvio ululante: as primeiras confissões», Nelson Rodrigues
21/03/12
20/03/12
19/03/12
A boa notícia
aqui é que os senhores da McDonald's acabam de anunciar que "a partir de hoje, vão fiscalizar mais de 1400 restaurantes na China". Que é como quem diz, até agora andava tudo em auto-gestão, incluindo as asas de frango.
18/03/12
16/03/12
15/03/12
Esta
senhora encanita-me. Bem sei que não é suposto contar com grandes gestos de rebeldia das mulheres dos ditadores - que levam à letra, a bem ou a mal, aquela coisa do 'na vida, na doença, na morte, na maldade' - mas esta senhora perturba-me. Praticamente barricada num país mergulhado no caos, por responsabilidade directa da família a que pertence, ela entretém-se "a gastar milhares de dólares em compras pela Internet em artigos de design, desde mesas a candelabros de Paris, até jóias, ou aconselhando uma amiga a comprar um conjunto de fondue" (aqui). A Asma é uma mulher estranha. Muito estranha.
13/03/12
É que esta nova vaga
de gestores ultra-modernos, normalmente na faixa dos 30/40 anos, super pró activos e empreendedores, com fartos currículos onde não falta o seu MBAzito e o domínio completo do Business English, são muito muito bons no que fazem, atingem facilmente os seus objectivos de negócio, têm uma visão global do mundo, só não sabem é escrever uma simples e inocente frase num português correcto.
12/03/12
É um alívio
saber que a velha e culta e democrata e civilizada Europa está nas mãos de senhores como este petit descendente de húngaros, doutorado em contorcionismo político e demagogia barata.
09/03/12
08/03/12
07/03/12
05/03/12
01/03/12
A fazer fé
nisto, acho um regresso um bocado esquizofrénico. É que não se vislumbra um upgrade do pântano, bem pelo contrário. Agora estamos mais para o pantanal e não será uma demissão que nos vai salvar.
28/02/12
Com dedicatória*
Porque os outros
se mascaram mas tu não
Porque os outros
usam a virtude
Para comprar o
que não tem perdão.
Porque os outros
têm medo mas tu não.
Porque os outros
são os túmulos caiados
Onde germina
calada a podridão.
Porque os outros
se calam mas tu não.
Porque os outros
se compram e se vendem
E os seus gestos
dão sempre dividendo.
Porque os outros
são hábeis mas tu não.
Porque os outros
vão à sombra dos abrigos
E tu vais de
mãos dadas com os perigos.
Porque
os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
* para a mulher mais generosa e valente que conheço, que faz anos hoje.
27/02/12
26/02/12
23/02/12
Acho interessante
que da entrevista que o nosso verdadeiro primeiro ministro deu ontem à TVI24, só se fale da tolerância de ponto que não vamos ter no Carnaval de 2013 (exemplo 1 e exemplo 2 e exemplo 3). Digo interessante, assim, na perspectiva de esclarecedor, porque se quisesse ser totalmente sincera diria que é uma tristeza.
21/02/12
17/02/12
«Quem
me dera ganhar o suficiente para a minha mulher ficar em casa», diz um colega de trabalho a propósito das declarações do tal cardeal que recebe amanhã os anéis e os barretes cardinalícios das abençoadas mãos do Papa. É uma pena que não ganhe o suficiente para não trabalhar de todo. Em nenhuma empresa e especialmente naquela onde me encontro.
«Depois do episódio da República,
que mesmo assim não afectou - ou afectou pouco - o interior do país, desde meados do século XIX, nunca o país deixou de viver num Estado poderoso e vigilante (...) Salazar, de resto, organizou, alargou e consolidou a repressão. Com alguns brevíssimos sobressaltos pelo meio, a herança que a ditadura legou foi uma herança de conformismo e obediência, que permanece viva, e frequentemente dominante, no Portugal de hoje, com a sua complacência e a sua democracia (...) A troika escusa de se preocupar. Cá na terra nós fazemos sempre, ou quase sempre, o que nos mandam. E não gostamos nada de aventuras».
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, e com carradas de razão
15/02/12
Se não contar
com a mesquinhez de algumas criaturas com quem tenho o azar de me cruzar
periodicamente na vida mais o barulho daqueles aspiradores urbanos que sugam as
folhas das árvores como se tivessem que arrancá-las do manto terrestre, haverá poucas
coisas na minha pacata existência que me tirem mais do sério do que uma reunião
de condomínio. Acabo sempre a jurar a mim própria que vou comprar um monte alentejano com uma distância de mais de 100 quilómetros dos vizinhos mais próximos, que não deverão ter, em circunstância alguma, mais de 60 anos.
13/02/12
Balanço do fim-de-semana
Um espantoso livro, uma exposição
acima das expectativas e um filme coxo. Zero televisão, muitas horas de sono. Sol e frio. O
equilíbrio quase perfeito.
10/02/12
09/02/12
Sinceramente,
já não há pachorra para estes soundbytes do nosso primeiro. Alguém lhe enumere, por favor, as virtudes do silêncio. Em desenho, ilustração, tabela, conto, poema, linguagem gestual, qualquer formato serve desde que ele se cale durante os tempos e que nos deixe trabalhar. Que é afinal para o que cá estamos todos.
08/02/12
Folhas
de horas e de obra, relatórios de despesas, power
point vários com actualizações diárias e semanais, gráficos de excel, status, livros de ponto. Actas e agendas de reuniões. Reuniões. Briefings
e propostas. Estou em contraciclo. A cultura do rigor, da exigência e da organização entedia-me de morte.
07/02/12
É gira, tem estilo
e uma
educação esmerada em colégios de Inglaterra e dos EUA. Tem preocupações
sociais: fundou uma associação para promover a cidadania activa e a
participação dos jovens na política. Tem preocupações com o património e quer
recuperar 'sítios arqueológicos' da Síria. Tem dois filhos, bonitos, saudáveis,
impecavelmente bem vestidos e, muito provavelmente, bem-educados. No essencial,
é uma mulher dos nossos dias: moderna, inteligente e culta. Podia viver na
Fifth Avenue e pedalar diariamente no Central Park ou num palacete na Avenue
Foch mas não vive. É cidadã da Síria, onde habita com o marido, Bashar
al-Assad, que apoia ‘incondicionalmente’.
05/02/12
03/02/12
«É preciso
fazer um corte com uma ideia demasiado artística que perpassa alguma arquitectura. Esta disciplina tem uma série de motivações (o sítio onde actua, o que daí se vê, os materiais que se podem ter, o dinheiro existente para se gastar, o programa a que tem de se responder) e é com isto que inventamos os objectos (...) As tensões estéticas e artísticas têm de existir no interior da arquitectura, mas não podem existir separadamente, ou ser procuradas à partida. A arquitectura não procurar efeitos desses à partida: isso é kitsch».
Manuel Graça Dias, hoje no ípsilon
02/02/12
Dica de saúde e beleza para um dia de greve
O exercício de assimilar, compilar e correlacionar dados absolutamente díspares sobre, por exemplo, o número de maquinistas que se baldaram hoje ao trabalho pode melhorar e muito a capacidade dos neurónios mais mandriões, estimulando as células cerebrais e prevenindo doenças degenerativas.
31/01/12
Alguém devia
ter percebido, algures em 2006, que 16 mil
camas eram um sonho megalómano que não iria servir ninguém. Desconfio que em 2012 ainda deve haver muitos que acreditam na ilusão de um novo destino turístico da Europa, capaz de atrair magotes de veraneantes obesos e endinheirados em busca de novas "experiências sensoriais" e de campos de golfe. A diferença é que a crise pode decidir por nós, o que em certas circunstâncias como esta é manifestamente bom.
27/01/12
25/01/12
24/01/12
Não aprecio diminutivos
especialmente quando usados de forma gratuita. Soam-me a falso e podem ter duplos sentidos: há dias em que são uma demonstração de afecto, outros em que não passam de uma inconveniência avassaladora.
23/01/12
Um dia,
ainda gostava que alguém me explicasse esta nossa estranha fixação com os Fura dels Baus. Ok, os senhores sabem fazer grandes espectáculos de encher o olho mais exigente mas há vida para além de toda uma parafernália de luzes e sons e projecções de vídeo e equipa gigantescas que até metem locais e tudo. Acho que Guimarães merecia uma coisa diferente. Única. E já agora, nossa.
20/01/12
11/01/12
10/01/12
Horror dos horrores,
parece que a exposição ao fumo dos facínoras que aliviam o vício à porta dos restaurantes é uma ameaça à saúde pública. Na qualidade de potencial criminosa, sugiro que me poupem a este crescendo furioso de legislação restritiva e saltem directamente para o episódio em que me irão deter em casa, com pulseira electrónica e termo de residência. Não há necessidade nenhuma de prolongar esta novela. Como em qualquer formato do género, os vilões são sempre castigados no final.
09/01/12
Perderam
um bocado de gás é certo, já não produzem tantas quezílias e debates inflamados, também é verdade. Mas isso não é necessariamente mau. Assim à cabeça, é de louvar que - pelo facto de já não estarem na moda - desapareceram muitos blogues cujo conteúdo tinha tanto interesse para a humanidade como os rituais de acasalamento do mosquito tigre asiático. Grande Darwin.
05/01/12
"O essencial,
para aproveitar uma viagem, é tomá‑la como uma finalidade em si mesma. Andar pelo mundo um pouco ao acaso é muito agradável. Viajar sem ter um objectivo concreto é uma autêntica maravilha. Eu sinto que poderia assim curar-me de todos os meus vícios e de todas as minhas virtudes — no caso de ter alguma. O que jamais poderei pôr de parte é a minha recalcitrante vagabundagem".
(Josep Pla, retirado aqui)
04/01/12
02/01/12
Uma pessoa
até se esforça. E finge que não o faz. Que é uma palermice, que não vale a pena, que é sempre a mesma coisa, que não resulta. A questão é que não dá. É mais forte do que nós. Quando damos por isso, ups, já aconteceu, já é tarde demais para voltar atrás. Os desejos estão pedidos e agora não há ninguém que me tire da cabeça que eles não vão concretizar-se.
30/12/11
28/12/11
26/12/11
Por estes dias,
é vê-las por aí. Para todos os gostos e curiosidades. Umas pequenas, umas maiores, umas gigantes que duvido que alguém consigo ler até ao fim. Há as clássicas, há as insólitas. Há as que não servem para nada, mas só por terem dado gozo a quem as fez, já merecem existir. Escolhi esta lista. Porque há palavras que o vento não devia levar e porque somos um povo esquecido. Para o bem e para o mal.
22/12/11
20/12/11
Aparentemente,
esta campanha da Donna Karan teve o objectivo de «fundir o espírito vibrante do Haiti com a inspiração
sexy de Nova Iorque». Diria que a única coisa que conseguiu fundir foi estupidez com um mau gosto de se lhe tirar o chapéu.
16/12/11
Mais duas horas
de sono hoje e evitavam-se dois aborrecimentos: uma bela dupla de papos escuros debaixo dos olhos e um sonho interrompido no momento em que caminhava para um deslumbrante epílogo.
14/12/11
12/12/11
Ou é da idade
ou estou sem paciência para as ruas imundas e super alternativas do Bairro Alto, a cheirar a xixi e cheias de lixo, repletas de gente que varia entre a pré-coma alcoólica juvenil e o turista que vagueia de cabeça no ar, fascinado pelos autóctones como se estivesse numa savana africana.
09/12/11
05/12/11
02/12/11
Há
a crise da dívida soberana, um filho de estripador que só denuncia o pai para poder entrar num concurso de TV, uma moeda com os dias contados, há desemprego, há despedimentos, há fome e há desespero. Mas também há notícias destas. Que nos deixam acreditar que ainda há histórias com um final feliz.
29/11/11
28/11/11
25/11/11
«É preciso
perceber-se que a austeridade por si só não vai resolver os problemas porque não vai estimular o crescimento (...) Se baixamos os salários, vai piorar a procura e a recessão (...) é necessário que a flexibilidade seja acompanhada por compensações do lado da segurança dos trabalhadores».
(Joseph Stiglitz, Nobel de Economia 2001 e antigo vice-presidente do Banco Mundial)
Será preciso ser Nobel para chegar a esta conclusão?
24/11/11
Hoje é dia
de regressar a Eugénio de Andrade.
«Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves».
«Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves».
23/11/11
Como é que
se acaba com os risinhos estúpidos de uma colega de trabalho que troca emails ou fala no messenger o dia inteiro? Uma marretada no portátil ou na cabeça?
21/11/11
18/11/11
Começo o dia
em gozo absoluto quando dou de caras com uma ex-colega de liceu que não via há 500 quilos, prossigo com a frustração de não poder dizer o que penso sobre a suposta importância de alguém que não vale um caracol, delicio-me com um almoço improvisado que saiu melhor do que a encomenda e anseio por saber o que me reserva o regresso a casa, tendo em conta que ontem quase passei o serão numa carruagem entre o Marquês e a Baixa Chiado. A vida é mais ou menos isto: um mix de diferentes estados de espírito, uma ou outra boa surpresa e outra má e uma pessoa em permanência para nos chatear a mona.
17/11/11
Portanto,
a ideia é baixar os salários no sector privado para competir, por exemplo, com a China, que tem mão-de-obra barata e submissa. Tendo em conta que o vencimento médio em Portugal se situa nos 813 euros líquidos fico para aqui a pensar que não tarda estamos todos numa dieta forçada de arroz chau chau.
16/11/11
15/11/11
Ok? Estamos entendidos?
'A maioria dos utilizadores das redes sociais nos países desenvolvidos não gosta de receber mensagens publicitárias enquanto usa as redes sociais. A conclusão é de um estudo da TNS que inquiriu 72 mil internautas. A percentagem média dos utilizadores que não querem marcas como amigas nas redes sociais é de 57 por cento nos países desenvolvidos' (aqui)
14/11/11
11/11/11
09/11/11
Mas porque
é que as mulheres continuam a irritar-se com os concursos de beleza? Em que é que meia dúzia de miúdas de fato de banho, sempre tão disponíveis para acabar com a fome no mundo, ameaçam a inteligência e as conquistas do género feminino?
08/11/11
07/11/11
04/11/11
03/11/11
02/11/11
Maldita a hora
em que decidi espreitar uma pasta que dizia "Festa de Natal 2010". O lado positivo é que ganhei tempo para pensar em desculpas alternativas e eventualmente mais credíveis do que uma gripe com dores no corpo ou uma súbita intoxicação alimentar.
31/10/11
26/10/11
Isto é
extraordinário. A RTP tem 300 funcionários que pode dispensar assim do pé para a mão sem comprometer a sua actividade? E o que andaram eles a fazer até agora?
25/10/11
24/10/11
A excitação
com os cortes aqui e os aumentos acolá foi tanta que, se não fosse a comunicação social, até se esqueciam destes simpáticos senhores. Mas, pronto, a escrupulosa maioria já está a tomar medidas para garantir que somos todos filhos. Ou enteados, conforme a perspectiva.
18/10/11
17/10/11
Os iPads
são super úteis, cheios de ferramentas e funcionalidades XPTO, blá blá, bonitos, rápidos, práticos, indispensáveis a todos os gestores dos nossos dias, mas o seu uso doentio em reuniões de trabalho começa a roçar a má-criação. Dez pessoas sentadas numa mesa, com uma a falar e nove de cabeça baixa a tactear furiosamente um rectângulo não é uma coisa bonita de se ver.
14/10/11
Ele fica com os subsídios de férias e Natal,
corta feriados, aumenta horas de trabalho e acaba com as deduções fiscais mas não abre mão do leite achocolatado. Não há dúvida que é um homem de causas. Até arrepia.
13/10/11
10/10/11
Parece que não
estou sozinha nesta coisa de ter reuniões que não produzem efeitos. Ou que se limitam a adiá-los.
04/10/11
Todos os dias
há novidades da Madeira. Hoje, foi esta. Sabe-se lá o que virá amanhã. Uma coisa é certa: se os madeirenses continuarem a elegê-lo, merecem cada cêntimo perdido em obras desnecessárias, festas ridículas ou cargos para os amigos.
03/10/11
Alguma coisa
está errada quando um líder sindical, excitado com a vasta comitiva que o acompanha numa manifestação, responde a um jornalista que está muito "satisfeito". Satisfeito com o quê exactamente? Com a oportunidade de celebrar na rua a imensa crise em que o nosso país se encontra mergulhado?
30/09/11
Basicamente
hoje acordei assim tipo incomodada, meia envergonhada, como o sol. Ele por estar na estação errada, eu no concelho errado.
27/09/11
09/09/11
'Para quem
ama, amanhã, por muito improvável que seja, é melhor do que ontem. Mas hoje pode ser, quando se tem sorte, o dia perfeito'.
(MEC, claro, no Público de hoje)
08/09/11
Pensamento da semana
A luta da Assunção Cristas contra as gravatas devia ser levada muito o sério. E, se possível, estendida também aos saltos altos.
04/09/11
02/09/11
Não consigo evitar
não achar graça a isto, que de alguma forma, representa uma espécie de vingança aos anos e anos de letras pequeninas, de cláusulas abusivas, de apólices pouco claras, etc e tal. Entalar uma seguradora faz parte do imaginário de qualquer proprietário português.
01/09/11
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