13/03/13
11/03/13
07/03/13
Para desenjoar
da onda encarnada que invadiu os jornais de hoje - obrigada, Diário Económico, por te manteres fiel ao laranja cueca de todos os dias - um saltinho até aqui para ficar a saber que el jefe de Estado reposa con gloria e seguro de que nosotros seguiremos su ejemplo.
06/03/13
04/03/13
Como já não tenho
pachorra para o cliché do grande plano do punho com o cravo
vermelho, da criança com o cartaz “que se foda a troika” ou da centésima
recriação do beijo do marujo e da enfermeira imortalizado por Alfred
Eisenstaedt em 1945, a melhor imagem de sábado é este grito mudo de raiva e de
desespero.
01/03/13
Ter
um primeiro ministro que não se bate pela indignação, pelo inconformismo, pelo protesto e pela revolta é razão mais do que suficiente para não faltar à chamada amanhã.
14/02/13
(Muito) mais
do que cometer erros, o que me chateia verdadeiramente é repeti-los. Ao primeiro, desculpo-me, ao segundo, martirizo-me e assumo que sou um caso perdido. A vergonha da estupidez é muito superior à da ignorância.
07/02/13
Sim,
sim, é um linchamento público, ò Álvaro. Que é para o senhor Franquelim aprender que mentir é feio, coisa que os seus muitos e muitos anos de trabalho - imagine-se que, aos 16, já labutava furiosamente numa empresa só fundada 19 anos depois - não lhe ensinaram. Bem sabemos que um curriculum para este governo é um acto de criação artística, mas há que chegar primeiro a ministro para poder argumentar que sempre norteou a vida pela simplicidade da procura do conhecimento permanente. Uma coisa de cada vez.
04/02/13
«O que entendo
é que há infracções que alguém que desempenha
um cargo público comete que podem ser impeditivas no desempenho da sua função.
Esta, entendo que não». Quatro - quatro! - páginas no i de hoje, totalmente dedicadas a um assunto, que se esgota nesta frase da própria. Podemos voltar ao dossier Franquelim Alves, please?
30/01/13
09/01/13
Portanto,
é um bocado cedo para comentar isto e tal e tal, mas para já numa primeira leitura - ou seja onde se lê cortes até 20% de funcionários públicos e nas pensões, aumento das taxas moderadoras e das propinas - já deu para perceber que está "muito bem feito", "muito bem trabalhado" e "muito completo".
07/01/13
02/01/13
Há momentos
em que penso que o melhor para todos nós era recomeçar tudo do zero, num outro planeta ou galáxia. E, não, não me refiro à mensagem de ano novo do Cavaco ou às férias do Relvas e do Dias Loureiro no Copacabana Palace, mas sim a este grau de bestialidade que se manifesta em alguns seres infelizmente vivos, embora não inteligentes e seguramente miseráveis.
17/12/12
13/12/12
«Sei que
há casos de pedofilia, só na diocese de Lisboa conheço cinco», diz a senhora na página 10. A PGR anuncia que decidiu mandar "instaurar um inquérito". Vamos aguardar serenamente os resultados do inquérito, há averiguações e interrogatórios para fazer, cada coisa a seu tempo. Enquanto isso, na diocese de Lisboa, as "alegadas" vítimas prosseguem as suas rotinas habituais. O mundo não pode parar.
11/12/12
Sim, pois,
naturalmente que a culpa é dele. Sempre são 13 meses de governação. Imenso tempo para resolver todas as trapalhadas criadas por quem esteve mais de oito anos quase ininterruptos no poder. A culpa é dele, da Merkel, dos mercados, dos italianos, do comboio, do Pai Natal e do circo. Quero dizer, do circo, não. O circo (re)começa agora e é património exclusivo do palhaço Sílvio.
16/11/12
Não há actividade*
mais mesquinha
e desprezível dentro de uma empresa do que a bufaria. Sem falsos moralismos,
concedo – também já os fiz – comentários maldosos sobre chefias, colegas, clientes.
Este tipo de maledicência, normalmente, esgota-se dentro de um círculo fechado,
sem outros frutos que não uma gargalhada ou uma piada de circunstância. Um
comentário sobre o mau hálito de um administrativo ou sobre os sapatos feios de
um director não tem consequências para ninguém, nem sequer para o inocente alvo
que há-de continuar despreocupadamente a falar a dois cm do nariz do próximo ou
a exibir os seus magníficos mocassins plastificados de biqueira fina. E é
perfeitamente democrático: haverá sempre um momento da nossa vida, em que
seremos nós o alvo. Calha a todos e ainda bem.
Já a bufaria pertence a um
campeonato diferente. Distancia-se da fofoca logo no objectivo. O bufo quer
chegar a algum lado, ou seja, bufa para tramar alguém. O galhofeiro orgulha-se
do que faz, que é simplesmente divertir-se e divertir os outros, o bufo tem
vergonha de si próprio, precisa de se promover, tem um objectivo claro e
definido. Usa um tom gelatinoso para actuar. Nunca é "pessoa para isso", está a
bufar porque "a situação assim o exige". Porque "os interesses da empresa estão à
frente das relações pessoais". O galhofeiro não pensa no futuro, vive o momento,
é destemido e ataca ao pé da máquina do café, o bufo investe no longo prazo, é cobarde
e age na surdina. Esgueira-se em passos de pantufa até à sala do patrão onde verte o seu fel, num fio de voz doce e cândido.
Isto tudo porque hoje esbarrei num bufo em pleno exercício da sua actividade e, para evitar o vómito, parti
em busca de cafeína. Abençoada máquina de café.
*este post tem uma destinatária que, infelizmente, não é exemplar único na empresa onde ambas trabalhamos. Mas, sem dúvida, que é a que tem maior taxa de sucesso.
*este post tem uma destinatária que, infelizmente, não é exemplar único na empresa onde ambas trabalhamos. Mas, sem dúvida, que é a que tem maior taxa de sucesso.
14/11/12
13/11/12
Parece que o mundo
académico e empresarial descobriu o fascinante mundo das conferências. Os auditórios e salas com nomes pomposos deste país andam animados com o entra e sai de ilustres oradores, que aproveitam para se promover a si e às suas empresas e instituições em "debates" sobre inovação, empreendedorismo, a crise como uma oportunidade, a internacionalização e banalidades do género, que não produzem conclusões, nem ficam para a história. Os ministros e secretários de estado abrem as sessões de trabalho, coisa que não lhes leva mais do que cinco minutos das suas apertadas agendas, a comunicação social vai atrás - e quando não é a própria a promover o "evento" - lá está para sacar umas declarações avulso, descontextualizadas, preferencialmente polémicas e "à margem da conferência", que ficam sempre bem num rodapé de televisão.
As conferências são portanto úteis para toda a gente. Para mim, não passam de uma manifestação saloia de uma certa cultura empresarial feita de aparências.
09/11/12
05/11/12
O Deutsche Bank
convocou a sua grupeta de administradores e directores para uma reunião de três dias num dos hotéis mais caros de Berlim, onde alugou todos os quartos cujos preços variam entre os 320 e 15 000 euros por noite. Na agenda de trabalhos, as próximas medidas de austeridade a adoptar depois do anunciado despedimento de 2 000 funcionários. Aos seus clientes, o Hotel Adlon sugere no site um saltinho ao SPA, onde todos poderão "Vergessen Sie für ein paar Momente die Welt und lassen Sie sich in traumhaft schönem Ambiente verzaubern", que significa qualquer coisa como "esquecer o mundo por alguns instantes e deixar-se encantar num ambiente fantasticamente bonito". Não tenho dúvidas de que seguirão o conselho à letra.
31/10/12
«Tem sido penalizada
por escolher a possibilidade de abordar o lado ligeiro e superficial das coisas», diz a presidente do júri que entregou o prémio PEN à escritora Rita Ferro, que entretanto, segundo a revista Sábado, vai começar a dar cursos sobre 'a arte da escrita' no valor de 60 euros, num pacote que inclui um 'almoço-volante' na sua própria casa. Feijoada ou cozido à portuguesa estão naturalmente excluídos da ementa, que se quer light e pobre em calorias.
29/10/12
14 milhões
de jovens na Europa entre os 15 e os 29 anos, não estudam, nem trabalham, entre eles 260 mil em Portugal, conforme se lê aqui. 14 milhões de excluídos. Quem são, o que fazem, o que procuram? Ou antes, o que acontecerá quando desistirem?
27/10/12
Hoje
vim aqui só para me oferecer a mim mesma a oportunidade de escrever o que efectivamente me apetece, mas entretanto desisti porque nem aqui isso é possível. Não há folha branca - no caso, ecrã branco - por mais anónima que pareça ser que me convença que não anda meio mundo, eu incluída, a mostrar aquilo que não é nem lá muito no fundo quer ser mas sim o que o outro meio lhe exige a toda a hora. Portanto, o meu palpite é que a única coisa realmente sentida que conseguirei escrever hoje é uma carta ao Pai Natal.
11/10/12
E ainda sobre a mesma temática,
50% dos trabalhadores a prazo no Estado vão ser corridos em breve num despedimento colectivo sem história em Portugal, mas os 48 despedidos do Público têm aquele élan, muito mais inspirador e propício a belas prosas de auto-elogio nas redes sociais.
Isto hoje em dia,
não há cá despedimentos, falências ou incompetências ou má gestão. Vivemos no mundo da "reestruturação", "sustentabilidade", "estratégia", "adequação à estrutura da empresa", "ajustamento", "assegurar a viabilidade". Ah, e trabalhadores, parece que também já não existem. Somos todos colaboradores. Faz sentido: colaboramos com as empresas, cada vez menos fazemos parte delas.
10/10/12
Detesto
com todas as forças que consigo retirar de cada músculo que possuo nos meus não-sei-quantos-nem-interessa-para-o-caso-quilos o "CC e o "BCC" dos emails. No primeiro caso, não entendo a diferenciação de destinatários quando pretendo que todos tenham acesso à informação que estou a enviar, já no segundo caso, só imagino um abelhudo a ouvir uma conversa que não lhe diz respeito, um otário a fazer confidências a uma plateia camuflada e um perverso a gozar à grande e à francesa.
09/10/12
08/10/12
Ainda assim,
este até parecia daqueles ministros de quem se podia esperar alguma coisa de inteligente, mas infelizmente, parece tão desorientado como todos os outros. O único consenso que consegue gerar é um descontentamento absoluto por parte de estudantes, professores e encarregados de educação, o que bem somado deve dar para aí 80% da população portuguesa. Fora os descontentes por simpatia, eu incluída.
03/10/12
Por favor, que
acabem (bem ou mal, quero lá saber) as histórias da miúda da manifestação mais a do rapaz que correu a cidade à procura de uma outra miúda que afinal tinha sido contratada por uma marca de perfumes. Há todo um mundo de boa ficção para descobrir, para quê perder tempo com estes enredos de quinta categoria?
01/10/12
27/09/12
25/09/12
«Dois indivíduos
«abordaram a mulher, de 78 anos, e o marido, de 80, quando trabalhavam no campo. Contaram-lhes que os pensionistas iam ser aumentados em 20 euros cada um, mas que precisavam de um comprovativo de morada. Deram boleia à mulher até casa, um deles entrou com ela para procurar o comprovativo e deitou mão a um guarda-jóias, um envelope com dinheiro e um fio de ouro que ela tinha ao pescoço»
ou
«Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons».
(Fontes: Correio da Manhã e Carlos Drummond de Andrade)
24/09/12
07/09/12
03/09/12
31/08/12
30/08/12
29/08/12
O homem
foi CEO de várias empresas, director de uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, é contra o aborto e o casamento entre homossexuais e, maravilha das maravilhas, está pronto para construir um muro na fronteira sudoeste dos EUA. 'He´s a good and decent man',
she said. O que querem mais? Maçadores, estes norte-americanos.
28/08/12
27/08/12
24/08/12
Oferecem-se
alvíssaras a quem encontrar um opinion leader com trejeitos de intelectualóide que não inicie a sua dissertação sobre o dossier RTP a dizer que não tem televisão e que nem sequer sabe quem é a Catarina Furtado. Obviamente, que a falta do referido electrodoméstico não impede nem invalida nenhuma posição sobre o assunto - que pode e deve ser discutido nas suas múltiplas dimensões - mas que tem graça ouvir estes senhores falarem sobre o que acham que é melhor para as massas alienadas e rendidas ao Goucha e ao Marcelo lá isso tem.
22/08/12
O Pingo Doce
é um bocado como as auto-estradas em Portugal: foram razoavelmente bem construídas, cobrem uma boa parte do país, são cómodas e servem os interesses de quem as utiliza. Os descontentes têm sempre alternativas: estradas nacionais, itinerários complementares, autocarro, comboio, mota, bicicleta, skate. Imagino que o conforto não será o mesmo, mas a vida é mesmo assim, feita de opções. A Deco não resolve tudo e parece que os iogurtes do Lidl são bem bons.
21/08/12
A minha
memória anda uma treta mas tenho ideia de que foi em 2004 que o então primeiro-ministro José Sócrates deu uma entrevista ao Expresso onde, além de se caracterizar como um "animal feroz" ou coisa que o valha, fartou-se de fazer citações, à média de uma por resposta. A verborreia valeu-lhe um ataque cerrado, sobretudo dos mais distintos intelectuais cá do nosso Portugal, que não apreciam ameaças ao seu monopólio de competências literárias. Pois bem, ando a lembrar-me muito desta entrevista ultimamente e não é por causa das tais citações - até porque não retive nenhuma com excepção da tirada autobiográfica já mencionada - mas sim porque me apercebi ultimamente que não há jornalista, cronista, escritor, político ou criatura que dê uma entrevista ou escreva uma opinião por esses muros e murais fora que resista a encher de citações quaisquer meia-dúzia de caracteres que lhes ponham à disposição. Para essa gente amável e amiga, sempre com um Dostoievski na ponta da língua pronto para exibir ao mundo, deixo aqui um pequeno contributo. "O melhor estilo é o que narra as coisas com simpleza, sem atavios carregados e inúteis". (Machado de Assis, pois).
17/08/12
16/08/12
Não sei se andei
distraída nas últimas silly seasons, mas tenho a percepção de que esta foi
violentamente atacada por uma epidemia de celebrações de defuntos famosos. É
como se vivêssemos num infinito 1 de Novembro de acesso reservado: não há dia
que não se assinale nascimento ou morte de actor, escritor, músico, pintor,
dramaturgo, poeta, jornalista. Tantas e tão diversificadas honras fúnebres a assaltar-nos
sistematicamente o quotidiano estival só podem querer dizer que já não há muitos vivos com
interesse para enaltecer. E os que existem, é bom que morram entretanto se
ainda querem ficar para a história desta estação.
14/08/12
Comissões organizadoras
dos festivais de verão deste Portugal ponham os olhos no nosso Pedro, que descobriu o segredo para ter casa cheia nos seus eventos, garantindo boas imagens televisivas, reduzindo custos e mantendo o espírito da pobreza com dignidade. Aposto que o nosso prestável Aníbal deu uma ajuda à festa, convocando os seus amigos no FB para encher o salão de 1500 lugares.
13/08/12
Perdi
(ou não, conforme a perspectiva) a cerimónia de abertura dos JO (cá estou, a aproveitar a última oportunidade para demonstrar proximidade com esta grande festa de amizade e de união entre os povos) e portanto, ontem, para me penitenciar decidi deitar um olho ao evento de encerramento. Em boa hora o fiz (dispensar apenas um olho ao momento, esclareça-se). Tirando a performance das renascidas Spice Girls, perdão, a gritaria das renascidas Spice Girls, que me fez rir às gargalhadas, foi como se estivesse a ver um medley dos momentos mais pirosos (se é que há outros) do Eurofestival, o que confirma uma velha tese minha de que os ingleses são bipolares e, portanto, capazes do melhor e do pior, sendo que, ontem, definitivamente, não tomaram a medicação.
(uma síntese deste festival de horrores aqui)
(uma síntese deste festival de horrores aqui)
10/08/12
09/08/12
08/08/12
06/08/12
Cá
está uma explicação possível para a minha galopante incapacidade de diferenciar músicas. É divulgarem amanhã um estudo que anuncie o mesmo principio para 'os novos valores da literatura' e então, sim, serei uma mulher que viverá em paz com as suas (aparentes) limitações, sem culpas nem fantasmas.
03/08/12
Ontem, ao fim da tarde,
ocorreu-me que "basta uma noite de Agosto para esquecer. Maravilhosa é a hora, com a luz a morrer, em que se sente que finalmente se desceu a uma temperatura com a qual se pode viver", hoje encontro na poesia do MEC esta tradução perfeita do meu pensamento e continuo a acreditar em coincidências felizes.
30/07/12
O melhor
das Olimpíadas não é a conversa do Barão de Coubertin sobre a paz e a amizade entre os povos e o espírito olímpico e etcetera e tal. Toda a gente está em Londres para fazer boas marcas e boas exibições e, consequentemente, ganhar medalhas. Para mim, o melhor dos Jogos Olímpicos são as imagens. Um regalo para a vista, aqui e aqui.
27/07/12
Dúvidas que me inquietam
As pessoas que não têm férias em Julho, Agosto ou Setembro
não podem ler livros de férias? As pessoas que têm férias têm que ler livros?
Os livros de férias não podem ser lidos fora desse período? Há livros escritos
propositadamente para serem lidos nas férias? O que diferencia um livro de
férias dos outros todos? Os livros podem ir de férias sem as pessoas? O que são
livros de férias?
26/07/12
Chegou-me agora por email -
directamente de um departamento de comunicação de uma empresa -"tire-me uma dúvida: é um procedimento normal, o jornal escolher a fotografia que quer?". Estou na dúvida se devo responder a esta competentíssima funcionária (ou colaboradora, como ela prefere sempre dizer) em formato de história infantil ou com uma bonita ilustração em aguarela.
25/07/12
24/07/12
23/07/12
20/07/12
19/07/12
18/07/12
O que
me enche de expectativa nesta notícia em relação à próxima geração de norte-americanos está na «política actual que permite às famílias falarem sobre a sexualidade em privado». Diria que este é um pequeno passo para os Boy Scouts mas grande, gigantesco, para a humanidade em geral e para estas desempoeiradas famílias em particular.
16/07/12
13/07/12
A mesma inquietação
12/07/12
Apesar do assunto
ou não-assunto conforme a perspectiva já provocar náuseas, estou curiosa para saber o resultado disto. Por princípio e convicção, não aplaudo movimentos que se destinam a combater 'padrões de comportamento', mas também não obedeço a nenhuma regra que não mereça uma excepção.
11/07/12
O que
realmente me apetecia agora era entupir o Astro do maior número possível de impropérios e ordinarices que a minha imaginação conseguisse alcançar mas como acho que ninguém tem que levar com a minha diarreia verbal vou sair de fininho e fazer força para acreditar que a Maya me reserva uma carta óptima para os próximos 25 anos.
09/07/12
Três estados de espírito
no regresso de férias: consumida de curiosidade para saber se o próximo sabor do Tasty Cup que o Público vai
distribuir será de cozido à portuguesa ou de bacalhau com grão, levemente enojada com as notícias em torno de um certo e determinado não-assunto e muito saudosa das fiéis havaianas que me acompanharam na última semana.
02/07/12
28/06/12
27/06/12
26/06/12
Ao contrário
da miss mundo, acho que o mundo precisa de alguma maldade. Em doses moderadas, é saudável e estimula a imaginação e o sentido crítico. Mas podia muito bem ter sido distribuída de forma equitativa ou, em alternativa, ter efeitos a longo prazo como o colesterol, proporcionando lentos e agonizantes ataques cardíacos a todos os que concentram valores elevados de fel no sangue.
25/06/12
Um dia,
irei compreender, tenho essa fé, cada um tem a sua, porque razão 30 graus em Junho justificam tantos directos da Praia da Carcavelos. Assim, no imediato, não me ocorre explicação para este fenómeno transversal a todas as estações de televisão, que envolve jornalistas de cócoras e de microfone em punho a interpelar pessoas deitadas no areal e a questionar crianças sobre a temperatura da água como se fosse uma informação de manifesto interesse nacional.
20/06/12
19/06/12
Meu bebé pequenino:
Ainda talvez podia ir esperar-te lá acima, mas não me disseste onde, nem me dás a certeza das horas. Não quis telefonar-te por duas razões — a primeira porque é desagradável telefonar assim, mesmo dando um «recado» fingido, para uma casa onde é o teu primeiro dia; depois porque não tenho telefone, de onde fale sem me ouvirem, e não quero falar-te de modo que outros ouçam. Os três telefones, onde às vezes falo, são, um no Café Arcada, e aí falar é falar em público; outro, na Papelaria Vieira, que está nas mesmas condições; o terceiro num escritório onde vou e esse telefone é no meio do quarto principal, onde estão os empregados.
Aguardo, pois, combinação melhor e ocasião propícia para te falar e ir esperar para os lados da Av. Almirante Reis.
A empresa continua em organização. Eu estou mal de saúde e de nervos, mas isso não tem importância. Mal tenho tempo para escrever.
Amanhã passo na tua rua, vindo da Baixa, e portanto do lado do Conde Barão, entre o meio-dia e meia hora e a uma hora.
Adeus, minha Íbis. Além de tudo estou muito cansado.
Muitos beijos do teu, muito teu
Fernando
(daqui)
Aguardo, pois, combinação melhor e ocasião propícia para te falar e ir esperar para os lados da Av. Almirante Reis.
A empresa continua em organização. Eu estou mal de saúde e de nervos, mas isso não tem importância. Mal tenho tempo para escrever.
Amanhã passo na tua rua, vindo da Baixa, e portanto do lado do Conde Barão, entre o meio-dia e meia hora e a uma hora.
Adeus, minha Íbis. Além de tudo estou muito cansado.
Muitos beijos do teu, muito teu
Fernando
(daqui)
18/06/12
15/06/12
14/06/12
Em bom rigor,
este europeu, sabe-se lá porquê, insiste em não produzir em mim uma nesga que seja de interesse. Não encontro nenhuma lógica nesta indiferença embora também não a tenha procurado. Mas eis que, no meio desta estranha apatia futebolística que se apoderou de mim, há um neurónio meu que desperta para o tema. O motivo tem a ver com o Cristiano Ronaldo. Não com a sua compleição física, que nem essa me entusiasma, mas sim com este chorrilho de críticas e acusações que se abateu sobre o rapaz. A bem dizer, o meu neurónio não despertou com a surpresa, porque não há nenhuma aqui: jogadores, políticos, estrelas de cinema e telenovela e afins estão sempre na calha para serem criticados por inerência da profissão. O que irritou o meu neurónio foi constatar mais uma vez que há muitos portugueses - que falam na TV e nos jornais, nos cafés e nos sofás, no comboio e no supermercado - que continuam a acreditar que uma partida de futebol depende de um jogador barra herói. O rapaz é milionário, tem uma namorada gira, joga num dos melhores clubes do mundo, está no seu pico de forma, logo tem que salvar a nossa honra. Tem que marcar e desmarcar-se, correr, fazer acrobacias com a bola, fugir aos amarelos e às provocações com elegância e sobretudo não pode falhar. Ora pois, não pode falhar. That´s the point. Não pode porquê? Onde é que está escrito que ele não é igualzinho a nós com as suas fraquezas e os seus momentos de menor inspiração, que é imbatível e que vence jogos sozinho? Infelizmente, tem aparecido escrito em tudo quanto é jornal nos últimos dias, portanto, o meu neurónio cansou-se e acaba de partir em busca de novos interesses.
12/06/12
«Os ciúmes
tingiram de sangue a freguesia de Pêro Moniz, no Cadaval. Um homem de 29 anos, despeitado por ter sido trocado por outro, assassinou na noite de domingo a antiga companheira, a qual se encontrava grávida de sete meses». Acompanha com a bucólica imagem de um moinho de Torres Vedras e podia ser o início de um romance mas é o lead de uma notícia do Público online, infelizmente, não assinada. E digo infelizmente porque desconfio de que o seu autor faz parte desta minoria.
11/06/12
Na verdade,
isto merecia uma queixa na Sociedade Protectora dos Animais. Porque carga d´água é que não respeitam a decisão do casal?
08/06/12
06/06/12
05/06/12
04/06/12
Não queria
ser desmancha-prazeres, mas parece-me que 'sucesso' é uma palavra esquisita para se usar nestas circunstâncias.
01/06/12
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